20.1.19

Resenha: A Diferença Invisível - Julie Dachez e Mademoiselle Caroline


A HISTÓRIA DA HQ

Marguerite é uma jovem de 27 anos. Todo dia ela acorda no mesmo horário, veste os mesmos tipos de roupa, faz o mesmo caminho para o trabalho, volta, e dorme na sua cama, sozinha, com tampões de ouvido e uma máscara que bloqueia a luz. À primeira vista, ela é como qualquer outra pessoa de sua idade. Mas, barulhos comuns a incomodam, ela odeia festas e não tem muitos amigos. Marguerite tem dificuldade de conversar com as pessoas, nunca sabe o que dizer e expressar o que está sentindo, até mesmo com seu namorado de longa data.

Coisas rotineiras para outras pessoas, como passar a noite na casa de alguém, são grandes desafios para Marguerite, que sabe que é diferente, só não sabe porquê. Até que um dia ela resolve, mais uma vez, buscar uma explicação. E dessa vez ela encontra. Ao começar a ler sobre Síndrome de Asperger, transtorno neurocomportamental que faz parte do Espectro Autista, Marguerite começa a se identificar bastante com os quadros e casos clínicos descritos. Assim, a mulher entra em uma jornada de autodescobrimento e equilíbrio. Em busca de um diagnóstico, Marguerite acaba também exercitando a autoaceitação e entendendo que, em vez de mudar a si mesma, ela deve mudar o mundo ao seu redor para superar suas maiores dificuldades.

16.1.19

Vídeos mostram como as mulheres vitorianas se vestiam e 6 coisas que aprendi com eles

Imagem da série Victoria (2016)

Os romances históricos e de época, em geral, têm uma tendência de mostrar o passado em sua forma mais glamourosa e rica possível. Mas, se por um lado, todos aqueles vestidos bufantes, passeios em carruagens decoradas e bailes esplendorosos deviam ser uma coisa e tanto de se ver e de se viver, por outro, não deve ter sido nada fácil estar vivo nessa época. Tirando o óbvio, a falta de direito das mulheres e a exploração dos pobres, toda essa complexa cultura, em especial da Era Vitoriana inglesa, trazia regras rígidas que, com certeza, tornavam um simples chá com um amigo um verdadeiro evento. 

Ter sorte suficiente de nascer em uma família rica te livrava de vários problemas na Era Vitoriana (demarcada pelo reinado da Rainha Vitória, no Reino Unido, de junho de 1837 a janeiro de 1901), como ter que trabalhar, e te dava melhor acesso a comida e saúde, entre outras coisas. Mas, com certeza, para pertencer a nata da sociedade você precisava viver como eles viviam, o que por si só poderia ser uma dor de cabeça. Nesse ponto, grande parte dos romances de época são sábios, já que mostram que coisas simples, como se vestir e tirar aquela pessoa que você gosta para dançar, até decisões de vida ou morte, como com quem se casar, não eram feitas com frivolidade se você não queria acabar envolvido em um escândalo.

E em um momento social em que estar na hora errada, no lugar errado, como sozinha em uma biblioteca com um homem que não é da sua família, poderia criar todo um alvoroço, as roupas também eram levadas muito a sério. Especialmente para as mulheres, claro, que eram vigiadas de tão perto a ponto de que mostrar um centímetro do tornozelo poderia significar a ruína social.


Como as mulheres de vestiam no século 18 (não exatamente na Era Vitoriana, mas ainda similar)

Uma coisa que as tramas de época e históricas me ensinaram é que nunca foi fácil ser mulher. Na Era Vitoriana, as jovens ricas não podiam escolher com quem dançar ou se casar; não podiam tomar decisões legais sobre si mesmas ou possuírem propriedades; não davam um passo fora de casa sozinhas e ter uma profissão era simplesmente absurdo e inimaginável. Claro que, na história real, houve exceções, mas as mulheres que conseguiram quebrar regras tão rígidas foram minoria.

13.1.19

Resenha: O Jardim Esquecido - Kate Morton


A HISTÓRIA

Em 1903, uma menina é deixada sozinha em um porto da Austrália. O homem que a encontra resolve criá-la como filha, chamando-a de Nell, e esconde sua única ligação com o passado: uma mala com um livro de contos de fadas dentro. Em 2005, a morte da querida avó de Cassandra, Nell, traz a tona segredos de família. Em seus últimos suspiros, Nell delirou sobre uma dama e um navio da qual a neta nunca ouviu falar. 

Quando comenta as estranhas falas de Nell no fim de sua vida a outros familiares, Cassandra descobre que sua avó escondeu dela sua origem misteriosa. E, aparentemente, foi nunca ter encontrado sua família verdadeira que a tornou uma mulher reservada, que preferia a companhia de objetos antigos a pessoas. Contudo, Nell deixa, em seu testamento, uma mensagem e um item misterioso. Cassandra herda da avó um chalé abandonado na Inglaterra, que escreveu que a neta seria a única a entendê-la.

8.1.19

Resenha: Amor Nas Highlands - Suzanne Enoch


A HISTÓRIA

Marjorie Forrester achava que dinheiro e um título fossem resolver todos os seus problemas. Mas, ser a irmã rica de um duque apenas significa que ela não precisa mais trabalhar para se sustentar. Seus sonhos de fazer parte da alta sociedade, por outro lado, continuam completamente frustrados. Agora que é uma lady, antigos conhecidos e amigos sequer olham na sua cara. Cansada de ser ignorada, Marjorie recebe a notícia do casamento do irmão com uma deliciosa surpresa. Mesmo ele afirmando que não é uma boa época para viajar para a Escócia, Marjorie decide surpreender o irmão aparecendo em seu casamento.

Contudo, os planos da garota dão completamente errado. Faltando pouco para chegar a propriedade do irmão, Marjorie é sequestrada pelos irmãos do visconde de Maxton. O próprio visconde, Graeme, se surpreende quando se vê cara a cara com ninguém menos que Marjorie Forrester, irmã do seu vizinho, o temido duque de Lattimer. Graeme não tem nada contra Lattimer, mas o líder de seu clã está em guerra com o ex-soldado e tudo o que Graeme não quer é se meter nesse conflito com sua propriedade a beira da falência e três irmãos mais novos para criar.

5.1.19

8 livros que preciso ler em 2019


Mais um ano começa e, com ele, mais uma batalha para equilibrar tempo e leituras! E um dos modos que encontrei para não perder meu hábito de ler é fazer tanto metas quanto listinhas de obras que quero devorar no novo ano. Em 2019, mais uma vez vou tentar ler um total de 70 livros, algo em torno de 6 por mês. E eu já separei algumas obras que quero muito tirar da minha (longa) listinha de "quero ler". Com obras desde não-ficção, sobre assuntos diversos como arrumação e escrita, a distopias e romances de época, minhas leituras desse ano prometem ser bastante diversas. Assim, sem mais delongas, conheçam os 8 livros que quero, e necessito, devorar em 2019!

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8 livros que preciso ler em 2018
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Faz algum tempo que minha mãe me recomendou o livro da Marie Kondo. Em busca de me tornar um pouco mais organizada, eu coloquei A Mágica da Arrumação na minha lista de leitura, mas acabei passando muitas outras obras na frente. Contudo, quando o programa da autora (Tidying Up With Marie Kondo, ou Ordem na Casa, como foi chamado aqui no Brasil), estreou na Netflix, eu logo corri para assistir e me apaixonei. 

O que eu acho interessante sobre a técnica da japonesa para colocar a casa e a vida em ordem é que ela se baseia não no que você precisa ou usa, e sim no que te traz alegria, felicidade. Mais do que se livrar das suas coisas, Marie Kondo traz uma filosofia de desapego do que você não gosta e valorização do que você gosta, de forma em que você adapta os objetos da segunda categoria para o espaço de armazenamento que você tem na sua casa. Tenho certeza que A Mágica da Arrumação é um livro muito interessante e que impacta nossa vida de forma prática, então mal posso esperar para lê-lo esse ano.

Em 2018, devorei O Ceifador, do Neal Shusterman, uma distopia incrível que fala sobre poder, corrupção, tecnologia e, principalmente, a importância filosófica da morte para dar sentido a vida. Assim, em 2019, quero terminar o segundo livro da trilogia Scythe, A Nuvem. Dando continuação aos acontecimentos do primeiro volume, a obra promete uma emocionante e impactante reflexão: o mal deve ser reprimido com violência e medo, ou combatido com compaixão e perdão? Mais do que isso, a obra também nos faz refletir se a tecnologia, em especial a inteligência artificial, sendo criada por seres humanos imperfeitos, pode ser perfeita e imparcial, e se o deve ser. Eu estou nas cem primeiras páginas de A Nuvem ainda, mas já adorando a obra. Foi uma escolha certeira para começar o ano bem!