20.6.18

Resenha: Escrevi Isso Pra Você - Iain S. Thomas


O AUTOR E O LIVRO

Iain S. Thomas é um escritor sul-africano publicado em várias partes do mundo e conhecido virtualmente pelo pseudônimo “pleasefindthis”. Em 2007, Thomas começou o blog I Wrote This For You com Jon Ellis, um amigo que ele só conhecia pela internet e que, na época, vivia no Japão. Assim, eles faziam uma troca: Ellis enviava uma foto para Thomas e ele escrevia algo que contasse uma história através daquela imagem. O resultado variava de uma frase ou algumas centenas de palavras, mas o conjunto impactante e belo de fotografia + poesia logo chamou atenção e o blog começou a fazer sucesso.

“AS PESSOAS QUE PODERÍAMOS SER
Ter um dom não significa que algo lhe foi dado. Significa que você tem algo a dar.” pág. 159

I Wrote This For You, em sua versão digital, continua vivo, com publicações mais ou menos mensais. Mas, agora Iain S. Thomas viaja o mundo divulgando seu trabalho e seus livros, inclusive Escrevi Isso Para Você, uma coletânea de poemas que deu origem a uma série, com mais dois volumes publicados: I Wrote This for You: Just the Words e I Wrote This for You and Only You. São quase 200 textos que, acompanhados por fotografias, estão divididos em 4 sessões chamadas de Sol, Lua, Estrelas e Chuva. As repartições não parecem seguir alguma lógica especial, já que as mesmas temáticas se repetem através de todo o livro: paixão, amor, solidão, separação, morte e, principalmente, vida.


A LEITURA E A POESIA DA CONTEMPORANEIDADE

Foi o título de Escrevi Isso Para Você que me chamou atenção: inusitado, ele passa a impressão de que a obra está falando com você. E ela está realmente. Abra o livro de Thomas em uma página qualquer e conseguirá encontrar pelo menos uma palavrinha “você” no texto, porque o autor realmente queria que sua poesia conversasse com o leitor, e ela cumpre bem tal objetivo. Não consegui deixar de me identificar ou me cativar com nenhum desses poemas. Em alguns, a sensação que tive era de estar falando com um melhor amigo, um amante íntimo, um familiar próximo. Em outras, de conversar comigo mesma.

18.6.18

Lançamentos de livros de Junho e Julho da Arqueiro e Sextante


Faz tempo que não falo de lançamentos aqui, não é mesmo? Mas, as novidades incríveis do post de hoje vão compensar o tempo perdido. Já aviso para preparem o coração e o bolso, pois as Editoras Arqueiro e Sextante resolveram nos provocar anunciando os lançamentos de Junho e de Julho desse ano! E só está chegando coisa boa! Tem romance de época de autoras queridas, Eloisa James e Lisa Kleypas, mais uma história de amor da Nora Roberts, livro sobre mindfulness, e até poemas e crônicas de autores nacionais. Confiram tudo em primeira mão:

Relembre os lançamentos de livros de Maio da Arqueiro e Sextante


A Duquesa Feia - série Contos de Fadas, vol. # 3 - Eloisa James
Baseado na história O Patinho Feio, esse é o terceiro volume da série Contos de Fadas. Como ela ousa achar que ele a ama, quando Londres inteira a chama de Duquesa Feia? Theodora Saxby é a última mulher com quem se poderia esperar que o lindo James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, se casasse. Mas depois de um pedido romântico feito na frente do próprio príncipe, até a realista Theo se convence de que o futuro duque está apaixonado. Ainda assim, os tablóides dizem que a união não durará mais do que seis meses. Em seu íntimo, Theo acredita que os dois ficarão juntos para sempre… até que ela descobre que o que James desejava não era seu amor, mas seu dote. E a sociedade, que primeiro se chocou com seu casamento, se escandaliza com sua separação. Agora James precisará enfrentar a batalha de sua vida para convencer Theo que ele amava a patinha feia antes que ela se transformasse em cisne. E Theo logo descobrirá que, para um homem com alma de pirata, vale tudo no amor – e na guerra.

15.6.18

Resenha: Mais Que Amigos - Lauren Layne


A HISTÓRIA

Parker Blanton não acreditava que homens e mulheres poderiam ser melhores amigos de verdade até a faculdade, quando conheceu Ben Olsen. Bonito, inteligente e divertido, eles se conectaram de forma instantânea, mas nunca romântica. Foi na faculdade também que Parker começou a namorar, então ela e Ben simplesmente nunca foram uma possibilidade de casal. Agora, seis anos depois, ela e Ben nunca estiveram mais próximos, eles moram juntos e até trabalham perto um do outro. As coisas não são perfeitas, claro. Parker odeia que Ben a use como desculpa para dispensar as dezenas de garotas com quem se envolve diariamente e eles estão sempre disputando quem vai usar o chuveiro primeiro.

A amizade de Parker e Ben era tudo o que alguém poderia desejar. Ele se sentiu próximo da garota bonita, inteligente e divertida desde o primeiro dia. Mas, quando se deu por si, eles já eram amigos e Parker já tinha um namorado, então Ben nunca viu a melhor amiga de um jeito romântico. E ele adora morar com ela, apesar de uma ou outra briga diária. Ben até mesmo se tornou parte da família Blanton, ele ajudou Parker a lidar com o câncer da mãe alguns anos atrás e é sempre bem recebido pelos pais dela. Eles são íntimos a ponto de dividir segredos e uma casa, mas não de serem um casal.

“‘Obrigada. Você é meu melhor amigo. Sabe disso, né?’ Ela abre um sorriso inseguro.
A Parker bêbada é uma graça. Sorrio. ‘Pode ter certeza. E você é minha melhor amiga.’
Desde que se mantenha vestida.” pág. 42

Mas, um dia, tudo muda. Parker é dispensada pelo namorado de longa data e começa a se perguntar o que esteve perdendo todos esses anos. Ela nunca foi desapegada como Ben, o rei dos relacionamentos de uma noite, mas decide que precisa mudar isso o mais rápido possível. Contudo, quando chega a conclusão de que nunca poderia dormir com um completo estranho, a solução perfeita surge em sua mente. Afina, Parker tem um cara lindo e que a conhece bem do outro lado do corredor. 

Assim, ela propõe a Ben que eles tenham um caso: tudo no âmbito físico, claro, já que ela sabe que ele não é do tipo namorar. A princípio, a ideia parece maluca. Ben não quer estragar a sua amizade com Parker, mas se ele consegue se envolver com tantas mulheres sem se apegar, porque com seria diferente com ela? E, assim, Parker e Ben começam uma nova, e deliciosa fase do seu relacionamento, mas por quanto tempo eles conseguirão levar a brincadeira sem desenvolver sentimentos?

A SÉRIE

Mais Que Amigos é o primeiro dos cinco volumes da série Love Unexpectedly, da norte-americana Lauren Layne. Cada volume da saga tem uma história fechada e um casal diferente. As histórias, mesmo que completamente independente, trazem, contanto, narrativas de amor apaixonantes, divertidas e, claro, inesperadas. 


A LEITURA: TRAMA E NARRATIVA

Eu fiquei curiosa para ler Mais Que Amigos assim que recebi o livro. A capa é linda e a sinopse me cativou logo de cara. Já li muitas histórias de amor em que os protagonistas são inicialmente amigos, mas sempre um deles está secretamente apaixonado pelo outro. Mas, em Mais Que Amigos, a autora resolve ser diferente: os mocinhos são melhores amigos, até moram juntos, mas nunca sequer imaginaram ou desejaram ser mais do que isso. Até que tudo muda, claro. E já começo elogiando a Lauren Layne por retratar bem essa transição dos amigos para “amigos com benefícios” e, em seguida, para amantes que têm sentimentos românticos um pelo outro.

É bem legal a autora já introduzir o livro derrubando esse mito besta de que homens e mulheres, sendo ambos héteros, não podem ser amigos de verdade, sem rolar uma paixão ou atração sexual reprimida. Também gosto que Mais Que Amigos tira o tabu das relações de amizade que se tornam algo mais. É interessante ver os protagonistas perceberem que não precisam provar nada para o mundo, nem que são só amigos, e nem que são amigos e algo mais. Afinal, todas as pessoas e as relações entre elas mudam com o tempo. Se é ok que amantes virem amigos, porque amigos não podem virar amantes? Mas, apesar do pontapé diferenciado, a trama em si e os personagens são bastantes clichês.

Mais Que Amigos traz alguns momentos mais quentes, mas para mim não chega a ser um romance erótico: as cenas de sexo são curtas e o foco verdadeiro é no envolvimento emocional dos personagens. Mas, a forma como essa nova fase do relacionamento dos protagonistas se desenrola, mesmo que bem retratada, não é surpreendente. A autora deixa pistas muito claras de que ambos estão desenvolvendo sentimentos e que estão lutando contra isso, e a grande reviravolta, que coloca tais emoções a prova, é bastante previsível. 

Contudo, não é uma trama sem grandes emoções ou surpresas que vai deixar a leitura menos interessante. Pelo contrário, Mais Que Amigos é uma obra que se desenvolve com muita rapidez. Devorei o livro em algumas horas, me deliciando com os capítulos narrados em primeira pessoa de forma alternada pelos protagonistas. A autora conseguiu dar vozes bem únicas para Ben e Parker, além de nos presentear com uma narrativa que flui e é muito, muito divertida. O casal troca diálogos hilários, que deixam esse romance muito gostoso e cativante. 


OS PERSONAGENS

Como a trama, os personagens são bastante clichês. Me irritou o fato de Parker e Ben não terem muita personalidade, eles são uma mulher e um homem completamente típicos, o retrato perfeito de um padrão de feminilidade e masculinidade que, honestamente, nunca vi na vida real. Parker é retratada como a garota perfeita: inteligente, esforçada e dedicada e que, claro, ama limpar a casa - o que me fez revirar os olhos porque, meus amigos, ninguém gosta de lavar roupa suja dos outros no mundo real, como a Parker faz com o Ben

Parker é tímida, ao mesmo tempo em que é extrovertida; segura de si, mas que precisa sempre da ajuda do Ben. A sensação que tive é que a autora quis criar uma mulher com a qual todas nos identificamos, mas acabou bolando uma mocinha vazia, que soa muito artificial. O mesmo acontece com o Ben: ele é inteligente ao mesmo tempo em que é bonito; fofo, mas pegador; atencioso, ao mesmo tempo em que sabe dar espaço para a Parker. Em teoria, o cara perfeito, mas tão perfeito que soa falso. O casal é muito certinho, parece ter saído direto de uma propaganda antiga: ela é a mulher carinhosa que ama cuidar da casa, que consegue despertar a sensibilidade do homem que, por sua vez, é sua “rocha emocional” e quem faz as coisas nojentas da casa, como tirar cabelo do ralo. 

Mesmo sendo fofos e nos conquistando por seu relacionamento divertido e inesperado (por ter surgido de uma amizade verdadeira), Ben e Parker não convencem como casal, nem como pessoas individuais. Na verdade, até os personagens secundários também são divertidos, mas clichês e vazios. A única que parece um pouco semelhante a um ser humano de verdade é Eryn, a amiga de trabalho chata de Parker. A inabilidade social da personagem a fez interessante em uma obra cheia de pessoas perfeitas e, no final, gostei da Eryn e fiquei triste em saber que, infelizmente, nenhum outro livro trará a história dela.

A EDIÇÃO

Mais Que Amigos tem uma edição perfeita. A tradução é excelente e não me lembro de ter encontrado erro algum no texto. A diagramação é simples, mas é compensada pela capa maravilhosa da obra. Adorei o forte tom de rosa usado, assim como a fonte do título e a fotografia. O casal dançando em cima da cama combina bem com a Parker e o Ben descritos, ao mesmo tempo em que passa a mistura de amizade e romance que o livro tem. Gostei também da adaptação do título. O original, “Blurred Lines”, Linhas Borradas, em tradução livre até faz sentindo (já que os limites da amizade dos protagonistas são testados na história). Mas, no final, Mais Que Amigos combina bem mais com a trama e é mais atrativo.


CONCLUSÕES FINAIS

Longe de ser perfeito, Mais Que Amigos é aquela comédia romântica cheia de clichês, mas irresistível. De fato, a história não traz muitas surpresas e os personagens têm personalidades superficiais e que soam forçadas. Apesar disso, eles conseguem nos divertidos com diálogos bem-humorados e acontecimentos que misturam romance e drama. Mais Que Amigos também ganha pontos por mostrar que homens e mulheres podem ter uma relação de amizade verdadeira, sem atração sexual, mas que não há problemas também se essa amizade evoluir para algo mais. A obra, foi, no fim, uma boa, rápida e gostosa leitura, que está recomendada para quem curte o gênero. Agora, estou curiosa para ler os demais volumes da série Love Unexpectedly e, claro, outras obras da autora.

QUOTES FAVORITOS

“Garotos e garotas não conseguem ser só amigos. Ou pelo menos não melhores amigos. As coisas acabam se complicando. Agora vamos avançar mais alguns anos na história… Aos vinte e quatro anos, tenho um anúncio de utilidade pública afazer: eu estava errada. Garotos e garotas podem, sim, ser melhores amigos. Dá para ter um relacionamento platônico com um cara sem qualquer desejo romântico, fantasia sexual ou tentativas fúteis de esconder a dor do amor não correspondido com declarações ingênuas como ‘eu não dele desse jeito’.” pág. 8

“Acabei de levar um pé na bunda bem dado. Não foi um tremendo barraco; foi um simples ‘não te amo mais’, o que é pior ainda. Muito pior do que seu eu tivesse feito besteira e sido chutada para fora.” pág. 32

Título: Mais Que Amigos
Título original: Blurred Lines
Série: Love Unexpectedly
Volume: 1
Autora: Lauren Layne
Editora: Paralela
ISBN: 9788584391073
Ano: 2018
Páginas: 224
*Esse exemplar foi uma cortesia da Editora Paralela
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11.6.18

6 filmes de época baseados em livros


Que vocês também são apaixonados por romances de época, eu já sei! Mas, recentemente, descobri que vocês também gostam de adaptações desses livros! Após a dica de uma leitora na nossa página do Facebook, fiz dois posts sobre séries baseadas em livros do gênero e vocês amaram as indicações! Por isso, hoje voltei com mais, mas, dessa vez, 6 filmes de época incríveis que vieram de obras literárias! Deixei de fora adaptações que todo mundo já conhece e ama, como Orgulho e Preconceito e Jane Eyre, mas garanto que a lista tá boa! Tem clássico sobre irmandade na guerra civil americana, história baseada em fatos reais sobre a realeza inglesa, romance sobre sedução e poder, e mais! Confiram:

Leia também:


Adoráveis Mulheres (Little Women), baseado no livro de Louisa May Alcott

E vamos começar por um livro que já apareceu no post "Mais 5 séries de TV de época que vieram dos livros". A história vocês conhecem: as irmãs Jo, Meg, Beth e Amy  se unem para sobreviver enquanto o pai está no campo de batalha e a mãe lutando para sustentar a família. Tendo que crescer durante a Guerra Civil Americana dos anos de 1860, as quatro enfrentam diversos desafios, que vão desde os papéis de gênero à rivalidade entre irmãos, primeiro amor, perda e casamento. A nova série de Mulherzinhas, da Louisa May Alcott, promete. Mas, vocês também precisam conferir o filme de 1994, com nomes como Winona Ryder, Kirsten Dunst e Christian Bale no elenco. Faz algum tempo que vi o filme, mas lembro de ter me apaixonado pela história, que é muito fofa e divertida. Adoráveis Mulheres (Little Women) fez sucesso e até foi indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Winona Ryder), Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora. Não tem desculpa para não assistir!

8.6.18

Resenha: A Mulher Na Janela - A.J. Finn


A HISTÓRIA

Um dia, Anna foi a Doutora Fox, uma médica psiquiátrica que tinha tudo: uma grande lista de pacientes, um marido atencioso e uma filha carinhosa. Agora, Anna é uma prisioneira dentro da própria casa, um belo sobrado antigo, reformado em uma linda e cara casa no centro de Nova Iorque. Há meses ela não consegue pisar na calçada do lado de fora. Tomada pela agorafobia, Anna teme lugares públicos e espaços abertos. Seu único contato com o mundo é através da fisioterapeuta e do seu terapeuta, que vêm até a casa toda semana, e através de ligações quase diárias para seu ex-marido e sua filha.