10.6.20

Resenha: Um Caminho Para a Liberdade - Jojo Moyes


A HISTÓRIA

É 1937 e a vida de Alice não está sendo como imaginava. Ao se apaixonar por um belo e rico americano, a jovem inglesa queria uma vida de aventuras no novo mundo, não dias solitários e sem cor em uma mansão abarrotada de objetos de sua falecida sogra. Bennet, marido de Alice, se mostra nada mais do que um filho mimado e inseguro, que não ousa fazer nada para desagradar seu rude pai, um cruel dono da maior mina na região.

Sufocada, Alice acaba encontrando uma gota de esperança quando a comunidade local anuncia a inauguração de uma biblioteca a cavalo. E por mais que os moradores da região fiquem receosos de receber uma estranha inglesa em sua casa e causem medo a Alice, ela logo se apaixona pelo novo trabalho. Em suas horas de trilhas a cavalo, ela é exposta a belas paisagens naturais e ainda consegue levar educação e diversão aos vizinhos através dos livros que entrega.

A biblioteca é liderada por Margery, uma mulher local sem papas na língua que não se intimida facilmente. Ela pouco se importa com as fofocas e apesar de amar e se relacionar o gentil Sven há anos, se recusa a se casar e perder sua liberdade. 

Outra bibliotecária igualmente durona é Beth, uma menina sonhadora, que constantemente está em conflito com Izzy, uma jovem rica que é obrigada pela mãe a trabalhar na biblioteca. Mas, quando percebe que pode fazer seu trabalho apesar sua deficiência na perna, Izzy se apaixona pelo lugar e começa a sonhar em ser mais do que uma garota tímida com um problema para andar.


Por fim, Sophia se junta a biblioteca, tornando o projeto ainda mais controverso. A organização e inteligência de Sophia não é reconhecida por causa de sua cor de pele, mas a mulher negra não se deixará intimidar se isso significa sustentar a si mesma e ao irmão fazendo o que ama: organizando e restaurando livros. 

Cercada por tantas mulheres incríveis, Alice começa a se sentir em casa pela a primeira vez, mas também a questionar o seu futuro. Como ela sobreviverá a vida ao lado de um marido frio? Ainda mais quando começa a se sentir atraída pelo gentil criador de cavalos que ajuda na biblioteca...

Juntas, Margery, Alice, Beth, Sophia e Izzy descobrem o poder dos livros e da união feminina. Mas em uma época de costumes rígidos e vida difícil, mulheres independentemente andando a cavalo e distribuindo ideias passa a ser visto como algo perigoso. Mas agora que sentiram um gostinho da liberdade, nada nem ninguém será capaz de parar as bibliotecárias a cavalo.

A NARRATIVA

Esse é o primeiro livro que leio da Jojo Moyes e, por mais que tenha sido uma gostosa surpresa, a escrita da autora não me cativou muito. A narrativa é lenta e excessivamente detalhista. Os diálogos são curtos, o que deixa o livro ainda menos ágil. Gostei das pitadas de humor tipicamente inglês da obra, mas não são suficientes para deixar a narrativa melhor.


A TRAMA E A MENSAGEM DO LIVRO

Em relação a história, senti falta de um conflito principal que guiasse a trama. Em Um Caminho Para A Liberdade, os problemas nascem quase que aleatoriamente para os personagens, que resolvem as questões tão facilmente quanto elas surgem.

Um ponto positivo é que a história traz uma diversidade de cenas, desde discussões, beijos roubados, velórios, enchentes, festivais de música e muito mais. O livro retrata com fidelidade o modo de vida na época e região em que se passa.

Apesar dos conflitos soltos e ritmo lento, Um Caminho Para a Liberdade passa mensagens incríveis. A primeira e mais óbvia é sobre o poder dos livros. Aqui é bem retratado como, apesar do estranhamento inicial, livros podem conquistar qualquer pessoa e, além de ser um meio de diversão e aprendizagem, são um meio de libertação pessoal e social. Ler também nos torna mais empáticos e críticos, o que, como Um Caminho Para a Liberdade mostra, é perigoso em épocas de muito conservadorismo.

Outra mensagem de Um Caminho Para A Liberdade é da importância da união feminina. Quando as mulheres se unem, se torna muito mais fácil para cada uma delas assumir o controle de suas vidas e lutar pelo que acreditam. E é incrível pensar que, apesar dessa ser uma obra de ficção, de fato existiu nos Estados Unidos bibliotecárias a cavalo. Como mulher, é bom e inspirador saber que no passado, apesar do grande sexismo, existiram mulheres que desafiaram a regras diariamente.


OS PERSONAGENS

O ponto mais forte de Um Caminho Para A Liberdade são seus personagens. As personalidades do livro são bastante humanas e cativantes. As protagonistas, claro, são mulheres empoderadas, mas de todas as formas e personalidades. Alice é uma inglesa gentil e delicada, mas uma mulher cheia de vida que aprende que não há nada de errado em ser extrovertida e não se diminuir para caber em papéis patriarcais.

Margery, de longe minha favorita, é uma mulher independente e de coragem infinita, mas que, ao longo do livro, entende que não há nada de errado em pedir e aceitar ajuda. Seu par romântico, o forte e doce Sven é o mocinho que todas nós queríamos na vida real. Beth é um pouco como Margery, mas mais nova e com sonhos mais ambiciosos. Fiquei curiosa para saber mais sobre a personagem, que acho que merecia uma obra só sua.

Izzy é mais como Alice. Crescida na riqueza, ela teme muitas coisas na vida, especialmente porque aprende a se limitar graças a deficiência que tem na perna. Contudo, dona de uma voz poderosa, ela encontra na biblioteca um jeito de se fazer ser ouvida. Ainda faz parte da biblioteca Sophia, uma mulher negra que, apesar da segregação racial, não deixa de ser quem é e ainda luta para ajudar o irmão incapacitado por um acidente.

Um Caminho Para A Liberdade também tem sua cota de vilões. Entre eles, de certa forma, está Bennet, marido de Alice. Sua insegurança e incompetência em proteger a própria esposa o tornou completamente repulsivo. Mas não pior que seu pai, um homem agressivo e rude que, honestamente, torci o livro inteiro para que alguém matasse logo de uma vez.

A EDIÇÃO

A tradução de Um Caminho Para A Liberdade está excelente. Não encontrei qualquer erro no texto, cujo tamanho e tipo de fonte é bom. A obra também conta com páginas amareladas, mas nenhum outro detalhe especial na diagramação. A capa de Um Caminho Para A Liberdade é simples, mas linda e perfeita para a obra.


VALE MESMO A PENA LER?

Eu peguei Um Caminho Para A Liberdade com receios, mas acabei amando a obra. Apesar da narrativa descritiva demais da autora, ritmo lento e falta de conflitos mais robustos, o livro é gostoso e inspirador. Com protagonistas empoderadas e fortes, a obra mostra o poder dos livros e da união feminina de forma cativante e emocionante. 

Um Caminho Para A Liberdade é um bom retrato sobre o interior dos Estados Unidos no final da década de 30 e o trabalho incrível e os desafios que as bibliotecárias a cavalo da vida real devem ter enfrentado. Eu gostei muito do livro, que me ajudou a superar o preconceito que tinha contra a autora.

QUOTES FAVORITOS

“Alice percebeu, intrigada, que Margery se comportava feito um homem. Era um pensamento tão extraordinário que ela se pôs a observar a mulher a distância, tentando entender como a outra chegara àquele tão maravilhoso estado de libertação.” pág. 40-1

“- Não há nada mais perigoso que uma mulher armada de conhecimento. Mesmo que ela tenha apenas doze anos.” pág. 125


Título: Um Caminho Para a Liberdade
Título original: The Giver of Stars
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788551005453
Ano: 2019
Páginas: 369
Encontre o livro: Skoob - Goodreads
Compre: Amazon

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1 comentários:

  1. Oie,
    Eu li uns 3 livros da autora, sendo que um deles não me encantou justamente por ser super detalhista e também de outra época, coisa que não sou exatamente muito chegada. Como Eu Era Antes de Você é muito bom!

    Beijo,
    Fantasma Literário

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