13.2.18

6 dicas de escrita de autoras consagradas de romances de época

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Ler e escrever têm, em comum, o fato de que, uma vez apaixonado por qualquer uma dessas atividades, ela se torna uma parte indissociável da sua personalidade e indispensável da sua rotina. Visto o número gigantesco de livros, blogs e tweets espalhados nessa coisa maravilhosa que é a internet, sei que não sou a única pessoa que tem uma necessidade diária e imensa de transformar os meus pensamentos em palavras sobre o papel (seja ele físico ou virtual). E, por mais que eu acredite que a melhor maneira de melhorar a sua escrita é, bem, escrevendo o tempo todo, eu amo ler dicas alheias sobre o assunto. Especialmente de escritores já publicados e que eu admiro de alguma forma.

Claro que o que funciona na escrita do fulaninho, seja ele um autor bestseller ou completamente desconhecido, nem sempre vai funcionar para você. Mas, além de satisfazer a nossa curiosidade sobre o processo criativo dos coleguinhas (o que, vamos admitir, é um material de leitura sempre bem interessante), as recomendações de terceiros podem ajudar a nossa escrita, seja nos fazendo refletir sobre ela ou dando conselhos práticos que funcionam de verdade. Por isso, resolvi compartilhar com vocês algumas dicas bem legais que colecionei por aí, todas de mulheres escritoras que gosto e admiro, que se aventuram em um dos meus gêneros favoritos: os romances de época. Para quem sonha em escrever histórias de amor situadas no passado, as dicas são mais valiosas ainda, já que nesse gênero tão saturado, é muito fácil acabar caindo nos clichês e deixar a história chata. Enfim, sem mais, vejam as recomendações sobre começar e terminar um livro, criar personagens cativantes e mais:

Leia também:

1 - Mary Balogh sobre o que evitar na hora de começar a escrever:

Presença constante na lista de mais vendidos do The New York Times e vencedora de diversos prêmios literários, Mary Balogh sempre sonhou ser escritora, algo que só conseguiu realizar quando sua filha mais nova tinha 6 anos e ela passou três meses escrevendo sua obra de estreia na mesa da cozinha mesmo. No blog da editora que publica seus livros nos Estados Unidos, Balogh deu várias dicas de escrita, mas a minha favorita foi a resposta que ela deu quando questionada sobre que hábitos ruins que escritores iniciantes deveriam evitar. A escritora deu a seguinte recomendação como resposta:

"Você não precisa saber tudo antes de começar. Você não precisa conhecer todo o enredo ou todas as nuances de seus personagens em grande profundidade. Você não precisa ter feito pesquisas exaustivas. As três coisas são necessárias, mas se você esperar até saber tudo o que há para saber, você provavelmente nunca começará. Continue e o conhecimento virá - ou pelo menos o conhecimento sobre a pesquisa exata que você precisa fazer".


2 - Meg Cabot sobre a incapacidade de terminar uma história:

Se você gosta de romances, é bem provável que já tenha devorada uma obra da Meg Cabot, seja as histórias juvenis como O Diário da Princesa, ou qualquer um de seus romances adultos, que ela publica como Patricia Cabot. Autora de cerca de oitenta títulos publicados em diversos países, ela já vendeu mais de 25 milhões de livros e já esteve no Brasil em diversas ocasiões. Uma das melhores formas de encontrar dicas de escritas do seus autores favoritos, como fiz com a Meg, é acessando seus sites e redes sociais. Nesse post de 2008 do seu blog pessoal, a autora respondeu algumas perguntas de fãs e acabou dando uma dica incrível para aspirantes que, como eu, nunca conseguem chegar no final de uma história. Confiram:

"Não terminar sua história pode significar muitas coisas. Talvez você seja melhor compondo músicas ou como instrutor de mergulho... ou talvez signifique apenas que você não encontrou a história certa. Geralmente, quando você encontra a história certa, você a ama tanto que quer terminá-la (bem, mais ou menos. 99% de escrever é manter seu traseiro colado na cadeira enquanto o resto de seus amigos está se divertindo. Tente pensar em quão bem você sentirá quado for pago após escrever as palavras O FIM. Isso sempre me ajuda). 

Meu conselho seria gastar mais tempo com sua bunda na cadeira, e mudar para uma nova história que signifique mais para você, ou desistir e se tornar um patinador artístico profissional. Ei, funcionou para a menina no filme Ice Princess [Sonhos no Gelo] (que é baseado em um roteiro da Meg Cabot). Qualquer um pode fazer isso!"

Leia as resenhas e conheça algumas obras da autora:

3 - Sarah Maclean sobre heroínas que não entediam:

Criar personagens cativantes e que parecem reais é bastante complicado. É muito fácil cair em clichês e esteriótipos nessa hora e acabar com um protagonista insuportável. Por isso, o que não faltam são conselhos sobre o assunto. Mas, um dos melhores que já vi foi da Sarah Maclean. E a autora tem bastante propriedade sobre o assunto. E não só porque passou boa parte da infância em meio a livros e bibliotecas, ou porque suas obras já entraram na lista de mais vendidos do The New York Times, do The Washington Post e do USA Today, além de terem sido traduzidas para mais de vinte idiomas. Vencedora do prêmio RITA, Sarah MacLean também é colunista do The Washington Post e, para mim, uma das melhores escritoras do gênero na hora de criar personagens femininas empoderadas, cativantes e divertidas. Suas heroínas conquistam seu coração logo de cara: você gostaria de ser amiga delas ou de ser a própria. Por isso, seu conselho sobre mocinhas que cativam é incrível e muito válido:

"Sem Mary Sues [termo para personagem de ficção idealizada, uma pessoa jovem ou que vem de baixo mas que salva o dia através de habilidades irrealistas e surrealistas]! Sempre! As heroínas entediantes são, na minha opinião, o erro mais comum em romances. Nós detestamos andar com mulheres que se definem puramente através de seus relacionamentos... então por que iriamos querer ler sobre elas? Certifique-se de sua heroína tem um propósito. Certifique-se de que ela tem personalidade. Certifique-se de que gostemos dela *sem* seu herói. Isso fará que a jornada de amor dela seja muito mais gratificante."

Você pode ler mais mais dicas de escrita nesse post de 2012, no qual a autora deu recomendações também sobre heróis, conflito e cenas de sexo.

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4 - Sarah Maclean (novamente) sobre heroínas cativantes:

Sim, eu adoro a autora e acho que ela tem propriedade para escrever um manual de 500 páginas sobre heroínas incríveis. Em um gênero tão saturado quanto romance de época, suas mocinhas fogem dos clichês e sempre têm personalidades incríveis e que conquistam os leitores. Mas, enquanto a Sarah Maclean não escreve a sua bíblia de como acertar com mocinhas empoderadas e que soam reais, vamos ficar com algumas dicas que ela deu por aí. A próxima foi encontrada nesse post do blog da própria autora, no qual ela divide 4 pensamentos seus sobre escrita. E, sobre mocinhas que nos conquistam, Maclean escreveu o seguinte:

"A heroína é sempre proativa. Nós ouvimos o tempo todo: "Não consegui terminar o livro porque a heroína era muito estúpida para viver". Bem, a verdade é que muito estúpido para viver está muitas vezes no âmbito das heroínas inativas. A vida simplesmente acontece com elas. Elas são reclusas que abrem a porta para descobrir que um homem chegou na sua varanda, e acontece dele simplesmente ser o homem dos seus sonhos. São belezas adormecidas, inteligentes e espirituosas (esperamos), mas basicamente ficam deitadas esperando o Príncipe Encantado aparecer para despertá-las com um beijo. Os melhores livros são os movimentados, nos quais as coisas mudam constantemente, (...) e heroínas (e heróis!) estão tomando medidas. Eles estão fazendo o que acham melhor, estão atuando no momento para mudar suas circunstâncias e seu mundo. E essa ação é a melhor maneira de garantir que os leitores os amem. E amem sua história."

 Vocês também estão batendo palmas depois dessa dica poderosa? Porque eu estou! Não deixem de conferir também as resenhas dos seus livros já publicados aqui no Brasil:


5 - Lisa Kleypas sobre heróis apaixonantes

Se fazer uma mocinha cativante é desafiador, um protagonista masculino bacana é duas vezes mais difícil. É muito mais fácil criar um herói machista e insuportável do que uma mocinha chata, os clichês do gênero facilitam isso. Mas, se uma coisa que a Lisa Kleypas, uma das minhas autoras favoritas do gênero, sabe fazer é criar mocinhos amorosos e divertidos, assim como atraentes. A escritora, que é formada em Ciências Sociais e, curiosamente, já foi miss em concursos de beleza, é uma prova que todas as mulheres são bonitas e inteligentes. Publicada pela primeira vez aos 21 anos, já escreveu mais de 40 romances, que são bestsellers no mundo todo e foram traduzidos para 28 idiomas. Lisa ganhou prêmios RITA e muitas menções honrosas em publicações especializadas. Em uma entrevista bem antiga, quando questionada sobre o que faz um bom herói de romance de época, Kleypas nos presentou com a maravilhosa dica:

"Minhas preferências são para um homem masculino que é capaz de se expressar bem, mas nunca fala em prosa florida. Ele possui força inata de caráter e fez seu próprio mérito ou superou circunstâncias difíceis. Eventualmente ele ama a heroína com um nível de intensidade de Heathcliff e demonstra isso tanto verbalmente como fisicamente. E esta é a qualidade mais importante para mim: tenho que sentir que a heroína será capaz de desenvolver e melhorar como pessoa por causa de sua presença em sua vida. Em outras palavras, ele e ela se incentivarão mutuamente a atingir metas individuais."

Um conselho perfeito, definitivamente! Mas tem mais... 

6 - Lisa Kleypas (novamente) sobre diálogos em romance de época

Na mesma entrevista, a autora é abordada sobre sua maior dificuldade na hora de criar seus romances de época. Kleypas revela um cuidado especial com seus diálogos, o que os leitores já tinham percebido, afinal, os livros da autora sempre trazem conversas divertidas e que fluem com surpreendente naturalidade. Para quem, como eu, sonha em conseguir fazer diálogos um terço tão bons quanto da Lisa, veja o que ela fala sobre:

"Gasto mais tempo e esforço para trabalhar nos diálogos. A linguagem dos personagens deve ser suficientemente elegante e rica para passar uma sensação histórica, mas também deve ser limpa e natural o suficiente para evitar interferir com o "fluxo" da história. E eu tento eliminar anacronismos [erro de cronologia que consiste em atribuir a uma época ou a um personagem ideias e sentimentos que são de outra época] de palavras ou frases, que são tão terríveis."

Um excelente conselho, ainda mais porque soaria estranho mocinhos vitorianos usando gírias do passado que não entendemos ou gírias de hoje que não tem nada a ver com a época em que a história se passa...

Conheça alguns livros da Lisa Kleypas:
- Segredos de Uma Noite de Verão - As Quatro Estações do Amor - Vol. 1
- Era uma Vez no Outono - As Quatro Estações do Amor - Vol. 2
- Pecados no Inverno - As Quatro Estações do Amor - Vol. 3
- Escândalos na Primavera - As Quatro Estações do Amor - Vol. 4


Bom amores e esse foi o post de hoje, com 6 dicas de escrita de autoras consagradas de romances de época! O que acharam? Curtiram os conselhos? Eu achei todos super úteis! Não deixem de comentar aí embaixo se vocês também gostam de escrever e quais recomendações que têm sobre o assunto! E, para finalizar, como bônus, uma dica simples e perfeita da autora que me fez apaixonar por romances de época:


"Termine o livro. O mundo está cheio de primeiros capítulos."
Julia Quinn, nessa entrevista

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1 comentários:

  1. que post maravilhoso, é tão bom ver as dicas de autoras tão consagradas, é como ver essas dicas em prática nos romances delas
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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