23.9.17

Resenha: A Cruz de Fogo, Parte 1 - Diana Gabaldon


A HISTÓRIA

É 1771 e a família Fraser está reunida na Carolina do Norte. Pela primeira vez, o coração de Claire não está dividido entre o passado e o futuro: Jamie e seus filhos adotivos Fergus e Marsali, sua filha biológica Brianna, o genro Roger e seu netinho estão todos ao seu lado. Apesar da vida dura nos confins da floresta pouco explorada da América colonial, Claire está feliz. Contanto, depois de tantos anos envolvida nas mais diversas confusões e conflitos políticos, Claire sabe que sua família não será poupada de vivenciar, em menos de quatro anos, a longa e sangrenta guerra pela independência dos EUA.

Jamie, depois de tanto tempo, já se acostumou com o fato de sua mulher ser uma viajante do tempo. Ele também sabe que, quando Claire o avisa sobre os perigos do futuro, é porque eles vão realmente acontecer. E agora não só sua esposa lhe alerta sobre a guerra, mas também a filha dos dois, Brianna, e seu marido Roger. Depois de vivenciar tantos conflitos e revoluções, de ir para a cadeia e de até mesmo perseguir piratas, Jamie reencontrou a felicidade sendo o senhor das terras de uma propriedade escondida no interior da América. Mas, ter não só sua mulher, mas também seus filhos e seus netos por perto e sob sua responsabilidade, faz com que ele tema o que está por vir.


E os primeiros tambores de guerra já estão soando, assim como os primeiros levantes dos americanos contra o poder britânico. É durante uma grande reunião de escoceses da Carolina do Norte que Jamie fica sabendo que um grupo de homens, autodenominados Reguladores, estão se reunindo e atiçando a rebeldia do povo contra o governo inglês e seus altos impostos. Por mais que não queria se envolver no conflito, Jamie é convocado pelo governador e obrigado a montar uma milícia para lidar com o problema. Assim, a tensão e o medo tomam conta da família Fraser, que se veem arrastados para intensos conflitos políticos. 

Enquanto Jamie tenta resolver o problema dos Reguladores da forma mais diplomática possível, Claire se preocupa com a guerra por vir, mas também se o marido e a família sobreviverão ao conflito. O casal ainda precisa lidar para manter sua crescente propriedade em ordem, enquanto acompanha Brianna e Roger tentando encontrar o equilíbrio como pais novatos e recém-casados. Mas, se alguém pode resistir ao mundo selvagem e cheio de intrigas da América colonial, esse alguém são os Fraser, que farão de tudo para protegerem uns aos outros.


A SÉRIE

A Cruz de Fogo é o quinto volume da série Outlander e foi dividido em duas partes. A saga acompanha Claire, uma inglesa que viaja no tempo e acaba no século 18, onde se apaixona pelo escocês Jamie, e, agora, mais de vinte anos depois do primeiro encontro dos dois, esse quinto volume também fala bastante sobre a filha Claire e Jamie, chamada Brianna, que também viajou no tempo e foi seguida para o passado pelo seu amor, Roger. Outlander é a mistura perfeita de romance histórico, fantasia, aventura e drama.

Leia a resenha dos outros volumes da série:


A LEITURA E OS PERSONAGENS

Eu amo a série Outlander, mas depois de quatro livros gigantescos (a maioria deles divididos em duas partes), confesso que minhas expectativas não estavam tão altas para A Cruz de Fogo (Parte 1). Por um lado, eu estava curiosa para ler sobre mais das aventuras de Claire e Jamie na América, agora que a filha dos dois se juntou a eles no passado, mas as 720 páginas desse volume (que é a parte 1 do 5º livro) me assustaram um pouco. Foi por isso que acabei enrolando para começar A Cruz de Fogo e demorando quase um mês para terminá-lo. 

Dessa vez, Diana Gabaldon demorou um pouco para me cativar. A leitura do início de A Cruz de Fogo é bem lenta. Ao tentar envolver a família Fraser em conflitos políticos da América Colonial, a autora se perdeu em uma introdução bem detalhada do contexto social e político da época, assim como me irritou resgatando dezenas personagens secundários (e também trazendo mais uma dezena de novos), e dos quais foi bem difícil se lembrar. Enquanto eu me perdia em quem era quem na história, também não consegui me cativar muito com toda a trama envolvendo os Reguladores e o Governador, achei um pouco forçado o modo como a Gabaldon envolveu a família Fraser com os conflitos políticos da época, mesmo entendendo que isso é uma preparação para os próximos volumes nos quais, tenho certeza, Claire, Jamie e família vão se envolver na guerra pela independência americana.

Contudo, se por um lado a trama central de A Cruz de Fogo não me convenceu ou cativou, as histórias paralelas, sobre as relações pessoais dos personagens principais e o modo de vida daquele momento histórico, me cativaram bastante e me fizeram relembrar porque eu amo tanto a série Outlander. Diana Gabaldon consegue criar personagens tão incríveis e complexos que o leitor se envolve na vida deles como se fossem pessoas reais, parentes ou amigos com os quais nos preocupamos e pelos quais torcemos. 


Eu gostei que, dessa vez, Jamie e Claire estão em paz, o casal está com a sintonia perfeita de um relacionamento de muitos anos, onde ainda há muita atração e amor, mas ainda mais paciência e compreensão. Por isso, é divertido vê-los observar com seus olhos já amadurecidos Brianna e Roger, que lutam para tentar se entender como jovens pais por acidente e recém-casados ainda cheios de diferenças. Nesse livro, ambos demonstraram um protagonismo maior, mas também certo crescimento que me cativou bastante. Foi legal ver Brianna se adaptar ao modo de vida da época, mas da sua maneira: como sendo uma mulher que caça e atira tão bem quanto cozinha e limpa. Já Roger consegue se conectar mais com Jamie e, juntos, eles formam uma dupla incrível, especialmente porque Roger está começando a entender que, para ficar junto de Brianna e amá-la como quer, ele precisa também se unir a exótica família dela.

Assim, apreciando os costumes da época, os conflitos e crescimento entre Brianna e Roger, assim como o relacionamento equilibrado de Jamie e Claire, e os problemas dos quatro com sua crescente propriedade cheia de parentes e amigos próximos, que nem sempre se acertam, acabei gostando de A Cruz de Fogo (Parte 1) – apesar de que esse é, sem sombra de dúvida, o livro mais chatinho da série. Mesmo a história sendo movimentada e recheada de muitas cenas divertidas, seu lado político e de ação pouco me cativou. Também senti que a obra está cheia de momentos descartáveis, que poderiam ter reduzido essa 1 parte do livro no mínimo em 150 páginas. Contudo, outro ponto positivo é a narração desse quinto volume. Dessa vez, a autora não se prendeu a perspectiva da Claire. Apesar de adorá-la como narradora, foi bom ver muitos outros capítulos em terceira pessoa, nos levando ao íntimo tanto da vida quanto dos pensamentos de Jamie, Brianna e Roger.


A EDIÇÃO

Como acontece com o resto da série, a edição de A Cruz de Fogo (Parte 1) está perfeita. A tradução é boa e o texto sem erros. A diagramação sem detalhes, assim como um tamanho bom de fonte e páginas amareladas, nos ajudam a focar na história (gigantesca) do livro. Eu gosto da capa de A Cruz de Fogo (Parte 1), ela combina com as outras da série e com a trama desse livro que, em grande parte, se passa nas quase inexploradas florestas América colonial.

CONCLUSÕES FINAIS

A Cruz de Fogo (Parte 1) é um livro extenso e cansativo, até mesmo para os grandes fãs da série - como eu. Com muitos momentos descartáveis para a trama principal e uma história com um forte teor de conflito político que pouco cativa, essa foi a leitura  mais lenta da série. Contudo, A Cruz de Fogo (Parte 1) traz duas coisas que me fazem amar tanto a saga Outlander e sua autora: uma descrição profunda e interessante sobre o modo de viver e a cultura da época; e personagens complexos e únicos, cujas personalidades e conflitos soam tão reais que nos apegamos profundamente a eles.

Apesar do resultado final não ter sido tão positivo quanto poderia, eu gostei de A Cruz de Fogo (Parte 1) e quero ler logo a segunda parte desse quinto volume, assim como o resto da série. Só torço para que a Diana Gabaldon passe a ser um pouco mais sucinta e volte com tramas políticas tão interessantes como as dos primeiros livros.


QUOTE FAVORITO

-Quando um chefe das Terras Altas convoca seus homens para a guerra – dissera o velho (…) -, ele faz uma cruz e a queima. O fogo é apagado imediatamente, com sangue ou com água, mas ainda assim ela é chamada de cruz de fogo e é levada pelos vales como um sinal para que os homens do clã peguem suas armas e se encaminhem par a o local de reunião, preparados para a batalha.” Pág. 306

Título: A Cruz de Fogo
Título original: The Fiery Cross
Série: Outlander
Volume: 5 (Parte 1)
Autora: Diana Gabaldon
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580416602
Ano: 2017
Páginas: 720
*Esse livro foi uma cortesia da Editora Arqueiro

Comente com o Facebook:

0 comentários:

Postar um comentário

Sinta-se a vontade para expressar a sua opinião, para divulgar o seu site/blog ou para elogiar ou criticar o blog! Lembrando que comentários com conteúdos agressivos, ofensivos ou inadequados serão excluídos.

(Você também pode entrar em contato comigo por e-mail, formulário ou pelas redes sociais. Saiba mais na página "Contato".)