31.7.14

Resenha: Casa de Pensão - Aluísio Azevedo






Título: Casa de Pensão
Autor: Aluísio Azevedo
Editora: Martin Claret
ISBN: 85-7232-542-5
Ano: 2002
Páginas: 282
Classificação: 4/5 [muito bom]
Sinopse: Aluísio Azevedo focaliza, nesta obra, problemas como preconceitos de classe, de raças, a miséria e as injustiças sociais. Descreve a vida nas pensões chamadas familiares, onde se hospedavam jovens que vinham do interior para estudar na capital. Aluísio Azevedo foi fundador da Academia Brasileira de Letras.


Jeitinho brasileiro 

Amâncio é um jovem maranhense de família muito rica que deixa a terra natal para estudar medicina no Rio de Janeiro imperial. Entretanto, o provinciano mimado pela mãe e acostumado com vida abastada, apenas se interessa verdadeiramente pela vida social – e claro, pelas mulheres – da Corte. Depois de tanto tempo ouvindo histórias sobre as maravilhas do Rio, tudo que Amâncio quer é viver aventuras, aproveitar a noite e a juventude e encontrar mulheres belas e sedutoras como as heroínas de seus livros favoritos. 

Entretanto, uma as primeiras pessoas que Amâncio encontra no Rio é Campos, um comerciante rico amigo da família que oferece sua casa para o garoto. Assim, Amâncio deixa o hotel onde estava hospedado e vai viver com a família de Campos. Apesar de ser muito bem recebido pelo comerciante, a mulher dele, Hortênsia, demonstra certo receio com a presença do estudante, o que acaba deixando-o atraído por ela. 

Certo dia, Amâncio encontra um colega do Maranhão, Paiva Rocha, e vai almoçar com o mesmo. No caminho, eles encontram outros dois amigos de Rocha que se juntam a eles. No almoço, regado a muito vinho e comida cara, Amâncio expressa o quanto está descontente em morar com Campos, o que restringe muito a sua liberdade. João Coqueiro, um dos amigos de Paiva, percebendo diante de si a oportunidade única de enganar um jovem rico, convida Amâncio para visitar a sua casa, uma das mais famosas e respeitadas Casa de Pensão do Rio de Janeiro. Com muito pouco trabalho, Coqueiro consegue persuadir o jovem a morar ali, onde, com ajuda da mulher, ele fará de tudo para casar Amâncio com sua irmã, Amélia, que não é inocente quanto ao plano de seu irmão. 

Entretanto, Coqueiro e Amélia não contavam com Hortênsia e Lúcia. A primeira mantém Amâncio apaixonado com seu comportamento inconstante, que jamais deixa claro se ela corresponde ou não os sentimentos do jovem. Já a segunda é uma moradora da Pensão, que logo percebe em Amâncio um modo de livrar-se da vida pobre que leva ao lado do marido preguiçoso. Com três mulheres completamente diferentes ocupando seus pensamentos e sonhos, Amâncio acaba tornando mais fácil sua entrada para um mundo de sedução, mentiras e falsas aparências, onde todos são movidos apenas por interesses fúteis e ambições egoístas. Mas será que mesmo cercado por tantas pessoas de índole duvidosa Amâncio continuará sendo um inocente estudante ou ele mesmo aprenderá também a adentrar em caminhos perversos? 

Casa de pensão é um clássico da literatura brasileira e que, honestamente, só li por causa do vestibular. Entretanto, acabei gostando da obra muito mais do que jamais imaginaria. Apesar do início lento, Casa de pensão não demorou a me conquistar graças a sua trama simples, mas muito bem amarrada e desenvolvida, e da sua narrativa em terceira pessoa fácil e fluída. Apesar de extremamente detalhista, o que em alguns momentos incomoda – como quando, por exemplo, o autor narra a vida inteira de um personagem secundário - a escrita de Aluísio Azevedo não é complicada como a de outros escritores da época, na verdade, é muito parecida com a escrita de autores contemporâneos. 

Os personagens de Casa de pensão são todos bem construídos, com personalidade e história própria, além de papel na trama. Mas o que mais gostei é que são bem reais, todos passíveis de corrupção e muito influenciados pelo meio. A malandragem, malícia e esperteza de todos eles os tornam representações perfeitas do conhecido “jeitinho brasileiro”. No início, não gostei muito de Amâncio, afinal ele é o típico filhinho da mamãe que só quer saber de curtir a vida. Entretanto, conforme os outros personagens começam a abusar da ingenuidade do garoto acabei simpatizando com ele, sentimento que ia e vinha durante o livro. Com os outros personagens foi a mesma coisa, é impossível gostar ou odiar completamente cada um deles e terminei o livro bastante dividida. 

Casa de pensão foi uma boa surpresa, uma viagem ao Brasil do Século XIX e uma crítica ao modo de vida da época, o que não deixa de tornar a obra bem atual. Com personagens de ações e índoles questionáveis vivendo em uma sociedade de aparências e de interesses, o autor obriga o leitor a encarar certas verdades sobre o caráter humano, ou a falta dele. Aluísio nos faz refletir o quanto somos influenciados pelo meio em que vivemos e como o desejo por algo pode nos levar a finais trágicos. 

A leitura de Casa de pensão me recordou bastante das obras de Jane Austen, que com uma história envolvente e aparentemente boba é capaz de criticar a fundo aspectos perversos da nossa sociedade, apesar de que Aluísio é muito mais explícito e quase que cruel em seus julgamentos. Recomendo o livro a todos, afinal é um clássico da nossa literatura e merece ser mais do que “um livro que a escola me obrigou a ler”. 

Quanto a edição do livro, tenho apenas duas reclamações. A diagramação estava boa, assim como o tamanho e tipo da fonte, apesar de que as páginas brancas sempre tornam a leitura cansativa. Gosto dessa capa, que representa todo o ar sedutor do Amâncio, mas não entendo porque a barba e as sobrancelhas do homem são verdes.

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12 comentários:

  1. Não conhecia o livro, mas pra ser sincera, não chamou minha atenção, e não tenho interesse em ler "/

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  2. Oi , nao curto classicos , por isso digo que nao leria esse livro , !

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  3. Eu tenho uma queda (tipo penhasco, enorme mesmo) por clássicos e gosto bastante desse. Realmente a linguagem dele é bem mais fácil. Outro excelente que tem uma linguagem simples é São Bernardo, um dos meus clássicos favoritos. Acho que você iria gostar.
    Excelente resenha, Ana.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de julho

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  4. Oiee
    Alguns clássicos conseguem me agradar já outros não,acho que só leria esse livro se
    fosse por causa do vestibular ou qualquer coisa parecida mesmo.
    E eu sempre acabo irritada com o nome dos personagens.
    beijos

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  5. Oi Ana! Bom, eu sou mais uma leitora que não curto clássico, de jeito nenhum, já até tentei, mas não consigo me envolver na história e muito menos gostar da leitura. Dos livros do gênero que já li, foi uma leitura pesada, lenta e cansativa, o que contribui mais ainda para eu detestar. Bom, na sua resenha você disse que a trama é desenvolvida e que tem uma leitura fluída, isso já foi um ponto positivo hahaha. Quem sabe um dia?!

    Beijos!

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  6. Hum...gostei da resenha. Ainda não li o livro, mas quero muito. Engraçado como ele apresenta essa forma de escrita simples e atual, não sabia! Fiquei interessada.
    Beijos!
    Monólogo de Julieta

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  7. hum, bacana. Eu tenho esse livro e pretendo ler em breve... li outros do autor e gostei muito. Aluísio tem uma escrita irônica que eu admiro muito. E não leio clássicos por obrigação, nunca li acredita rsrsr
    li porque tive vontade mesmo, e gosto bastante :D
    bjs
    ai, que liiindo :o
    http://torporniilista.blogspot.com.br/2014/07/who-needs-50-shades-of-grey-when-youve.html

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  8. Oi Ana, tem vários livros clássicos que eu só li por causa do vestibular e acabei gostando muito. Apesar do preconceito inicial, eles são fáceis de ler e são clássicos por algum motivo, né? rsrs
    Este ainda não li.

    Beijos

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  9. Aluísio de Azevedo é extremamente detalhista em seus livros. Li O Mulato, outra obra do autor, e digo que em alguns momentos isso também chegou a me incomodar. Mas o legal é que nos sentimos dentro da história.
    Haha! também não entendi o motivo da barba dele ser verde! Vou ler esse livro com certeza!

    eueminhacultura.blogspot.com.br

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  10. sei que é feio de minha parte, mas não tenho muito interesse em ler clássicos da literatura nacional.
    a história pode ser sensacional, mas a escrita daqueles tempos me incomoda e me cansa demais, então acaba sendo um esforço ir até terminar o livro.
    pela resenha, esse livro, do qual não conhecia, deve ser bem interessante, o tema é ótimo, mas ainda assim eu passo.

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  11. Este livro é pra ser lido, comentado, divulgado e indicado!

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  12. Li esse livro na época da escola e gostei bastante, é muito bom!

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