27.3.14

Resenha: Enfeitiçadas - Jessica Spotswood

Título: Enfeitiçadas
Título original: Born Wicked
Série: As Crônicas das Irmãs Bruxas
Volume: 1
Autora: Jessica Spotswood
Editora: Arqueiro
ISBN: 978-85-8041-230-7
Ano: 2014
Páginas: 272
Classificação: 5/5 [ótimo]
Sinopse: Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará a idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror. Quando Cate descobre esta profecia no diário de sua mãe, morta há poucos anos, entende que precisa repensar seus planos. Qual será a melhor opção: servir a Irmandade, longe dos olhos vigilantes dos Irmãos Caçadores de Bruxas, aceitar uma proposta de casamento que lhe garanta proteção e segurança ou abandonar tudo e viver um grande amor proibido? Prepare-se para se encantar com os jovens pretendentes de Cate, abominar o ódio e a repulsa que os Irmãos dedicam a meninas e mulheres, e aguardar ansiosamente pela sequência de As Crônicas das Irmãs Bruxas.

Who's the baddest witch in town?*

As mulheres da família Cahill carregam um dom e maldição: a magia. Anna era uma bruxa, assim como suas três filhas Cate, Maura e Tess. Em outras épocas, como antes da Fraternidade ter tomado o controle da Nova Inglaterra, ser uma bruxa poderia ser a coisa mais incrível que uma garota poderia querer. Mas depois do Terror, onde centenas de mulheres foram queimadas e mortas de outras muitas formas apenas por uma vaga suspeita de bruxaria, possuir o dom da magia ou ser relacionada de qualquer maneira a ele pode ser sua condenação.
“Nossa mãe também era bruxa, mas ela sabia esconder melhor do que. Sinto saudade dela.” Pág. 7 
Desde a morte da mãe, dois anos atrás, Cate assumiu o papel de mulher mais velha da família e tenta ao máximo cumprir a promessa que fez para sua mãe de proteger suas irmãs, mesmo que isso signifique isolá-las do resto do mundo e sacrificar sua própria felicidade. Cate esta disposta a fazer qualquer coisa por suas irmãs, inclusive casar com um homem que não ama ou se juntar a Irmandade. Mas sua escolha será muito mais difícil do que ela imagina. Cate descobre, através do diário de mãe, que elas e suas irmãs podem ser as garotas de uma profecia antiga, que salvarão ou condenaram as bruxas de vez. 
“Por mais segura e bonita que seja, uma jaula é sempre uma jaula.” Pág.175
Enquanto tenta digerir e descobrir mais sobre a profecia, Cate tem de lidar com suas irmãs que, diferente dela, não veem perigo na magia, apenas beleza e oportunidades. Como se não bastasse, o pai das garotas contrata uma governanta da Irmandade para ajudar as filhas a se tornarem mocinhas desejáveis e prontas para o casamento. A perspectiva de ter uma estranha sempre a seu encalço pouca agrada Cate, mas suas irmãs se dão muito bem com Elena, a governanta, e com as novidades que ela proporciona. Mas Cate não se deixa ser conquistada apenas por vestidos bonitos e chás com as garotas mais populares da cidade. A garota desconfia das intenções de Elena e pressente algo estranho sobre ela.
“- Não escolhemos quem amamos. Nem paramos de amar quando as pessoas ficam difíceis.” Pág. 212
Cate também tem ao seu encalço Paul, um amigo de infância que se tornou um homem e começa a despertar a antiga paixonite que a garota tinha por ele. Apesar de Paul ser louco por Cate, a menina não tem certeza se gosta dele o suficiente para passar o resto da vida ao seu lado, além de que teme que, caso eles se casem, ela acabe tendo de se mudar para longe das irmãs. A impressão que Cate tem é de que, de repente, todos os olhos estão voltados para ela, assim como a responsabilidade não só sobre suas irmãs, mas sobre todas as garotas e bruxas do mundo. Cate precisa descobrir em quem confiar e que escolhas fazer, mas as aparências enganam e Cate pode encontrar amigos nos antigos inimigos e rivais dentro da própria casa e família. As pessoas podem surpreender, assim como Cate, que encontrará forças bastante poderosas dentro si, assim como sentimentos. Para encontrar soluções para seus problemas e a felicidade, a garota terá que aceitar que a magia é parte de quem ela é e que aquele garoto com o qual ela não deve se relacionar é exatamente o que ela mais quer. Novamente citando “American Horror Story: Coven” (como fiz título, vocês perceberam? ;D Para quem não entendeu a referência, dá uma lida no último parágrafo): “When witches don’t fight, we burn”. “Quando as bruxas não lutam, nós queimamos”. É, ser uma bruxa não é fácil, ainda mais em pleno século XIX. Será que Cate vai lutar ou queimar?
“- Commuto – enuncio, e o livro desaparece, substituído por um buquê de crisântemos dourados. – Eu sou uma bruxa. Estou cansada de ter vergonha da maneira como nasci: bruxa e mulher. Fiz o melhor que pude, seja isso uma benção ou uma maldição.” Pág. 231
Fiquei com vontade de ler “Enfeitiçadas”, primeiro volume da série “As Crônicas das Irmãs Bruxas”, assim que vi a capa do livro. Não julgo um livro exclusivamente pela sua capa - apesar de que, admito que ela tenha grande importância no primeiro contato que tenho com qualquer obra -, mas há algo na capa de “Enfeitiçadas” que simplesmente me conquistou, sentimento que foi ainda mais reforçado quando li a sinopse. Tinha altas expectativas para a obra que não foram apenas supridas, mas superadas.

Em um primeiro momento, “Enfeitiçadas” pode parecer apenas uma história boba sobre a vida de três jovens irmãs bruxas e o romance proibido de uma delas nos momentos finais do século XIX. Entretanto, o livro é muito mais que isso. Quando a autora coloca Cate, nossa protagonista, em contato com a antiga profecia da qual ela pode fazer parte, vemos a garota se abrir para um infinito de questões que nunca passaram pela cabeça dela. Cate começa a questionar o seu lugar no mundo, o seu poder de escolha e sua liberdade. “Enfeitiçadas” é, em sua essência, um livro muito político e feminista. Se deixarmos de lado o fato da protagonista ser realmente uma bruxa, encontramos o relato de uma garota em meio a uma sociedade machista e opressora que tenta encontrar em si o poder para mudar as coisas erradas que vê. Entretanto, mesmo quando descobre esse poder, Cate tende decidir entre ficar na sua zona de conforto e proteger a sua família e a si mesma ou ir a luta não só por si, mas por todas as outras mulheres e, talvez, acabar perdendo. Isso sem falar que grande parte das histórias envolvendo a caça desenfreada e insana por bruxas também é real, todos conhecemos as tristes histórias de mulheres inocentes que foram queimadas na fogueira por suspeitas (ridículas, digamos de passagem) de bruxaria. 
“- O que você sabe? Você é uma doida varrida!
- Eu sei coisas demais – rebateu Brenna com sua voz gutural triste. – Vão me matar por isso.” Pág. 210
Ao misturar realidade com ficção, conflitos sociais com romance, a autora criou uma história cativante e irresistível. A narração em primeira pessoa permite ao leitor um contato profundo com a protagonista e seus medos, pensamentos, sentimentos e realidade cheios de conflito. A escrita de Spotswood é leve, flui com rapidez e conquista o leitor logo nas primeiras frases. A trama foi muito bem construída e desenvolvida, não tem pontas soltas, além de ser recheada de mistérios e surpresas. A autora soube ambientar bem seu enredo no contexto histórico em que ele se passa, todos os cenários e costumes da época estão bem descritos, o que demonstra que Spotswood não economizou em horas de pesquisa.

Os personagens são extremamente bem construídos, cada um com sua personalidade e papel na trama. Algo que muito me agradou foi o modo como a autora, a princípio, os mostra de forma bem clichê, apenas para surpreender o leitor mais adiante quando desconstrói tais estereótipos. Ninguém é o que parece em “Enfeitiçadas” e foram esses personagens misteriosos, passíveis de mudanças e muito humanos que provocaram-me as mais diversas emoções. As irmãs Cahill foram definitivamente as minhas favoritas e não consegui eleger uma favorita entre elas. Tess, a caçula, me conquistou com sua inteligência e maturidade para a idade, além de imensa curiosidade. Maura, a irmã do meio, me chamou a atenção com seu amor pelos livros, mas também por seu espírito questionador e que não teme o desconhecido e o diferente. A Cate já me conquistou com sua devoção a família, determinação e teimosia, apesar de que ela foi a que mais me irritou em diversos momentos. Apesar de entender sua resistência e medo a magia, não consegui deixar de me sentir contrariada por a garota achar que é perversa e má apenas por causa de um dom que já nasceu com ela e lutar, do início ao fim, contra ele. Para ser honesta, achei a Cate, na maioria do tempo, uma meninha chata, mimada e controladora que carrega mais responsabilidades do pode aguentar, apesar de que ninguém disse que ela tinha que fazer tal coisa. Entretanto, apesar de ter tido meus aborrecimentos com a protagonista, gostei que a autora já não tenha nos dado uma heroína pronta, sem medo e convicta do que é certo e errado (o que é bem clichê). Ver Cate amadurecer ao longo do livro, mas sem perder sua personalidade ou seus objetivos, foi muito mais interessante. No fim, a personagem cheia de controvérsias e aspectos bons e ruins me conquistou bastante, ao ponto de me fazer torcer por ela. Quanto aos outros personagens, Elena me chamou bastante atenção (além de me surpreender), já que, como a protagonista, ainda não sei exatamente de que “lado” ela está. Os pretendentes de Cate são típicos cavalheiros fofos, apesar de que bem diferentes, e obviamente estou torcendo para aquele o qual Cate realmente gosta, mas com quem não deveria e não pode se relacionar. 


A edição de “Enfeitiçadas” não deixa absolutamente nada a desejar. A tradução e diagramação estavam perfeitas e adorei os detalhes no início de cada capítulo (foto acima). O tamanho e tipo da fonte estavam agradáveis e as páginas amareladas são sempre uma boa escolha. Como já disse, eu amo a capa desse livro, é uma das minhas favoritas. Além de divina, a imagem combina com a história e simplesmente puxa os nossos olhos para ela, assim como a expressão da modelo que parece realmente nos enfeitiçar. Os detalhes em dourado são incríveis, assim como a fonte usada no título, que, por ser em auto relevo, aprece saltar da capa. Gosto bastante da outra capa que o livro ganhou nos EUA (foto ao lado) e, apesar de achar que a modelo combina muito mais fisicamente com a Cate, ainda prefiro a nossa capa. Também fiquei bastante feliz com a adaptação do título original, já que “Born Wicked” (“Nascida Perversa/Mau”, em tradução livre) não possibilita uma tradução literal boa e que “Enfeitiçadas” fez tanto sentido quanto título original e é impactante da mesma forma. 

Envolvente e irresistível, “Enfeitiçadas” é um romance para suspirar e pensar. O livro emociona o leitor ao mesmo tempo em que o leva a refletir. É uma obra que recomendo para todos que gostam de um bom romance com toques de sobrenatural e misteriosos, além das boas e velhas tramas envolvendo magia, bruxaria e caça às bruxas. O livro me conquistou e encantou, além de deixar louca pelos próximos volumes da série. Mal posso esperara para conhecer o destino não só das Irmãs Cahill, mas de todas as bruxas da Nova Inglaterra. 

*Para quem não sabe, a frase do título é uma das frases mais célebres da terceira temporada do seriado norte-americano “American Horror Story” que (adivinhem só!) teve como tema central os diversos conflitos de um Coven de bruxas, o que por si só já é a cara de “Enfeitiçadas”. Em tradução livre, a frase “Quem é a bruxa mais malvada da cidade?” em muito me lembrou a nossa protagonista, que acredita ser uma garota muito, muito perversa por possuir o dom da magia. Bom, malvada ou perversa eu não sei, mas que Cate é uma bruxa poderosa ela é.

“O senhor não escuta as súplicas de meninas perversas.” Pág. 74

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13 comentários:

  1. Olá Ana!! Tudo bem??
    Já li algumas resenhas e comentários sobre esse livro e a cada vez que leio mais aumenta a minha curiosidade, não venho a hora de ler, mas vou ler sem toda aquela expectativa em relação ao livro, para não me decepcionar ( pois li em outras resenha alguns pontos negativos)...Mas ainda tenho interesso desta trilogia!! Parabéns pela resenha.
    Beijos ♥
    Beijos para ti ♥

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  2. Li apenas metade da resenha porque estou lendo o livro no momento, e desejo me surpreender até com a personalidades dos personagens. Confesso que fiquei quase que encantada com a capa muito linda, sem contar que o livro por dentro também está divino.
    Estou devorando o livro doida pra saber quais os rumos que a história ira tomar.
    Beijos.

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  3. Essa foi de longe, a resenha mais bem feita que já lia respeito de Enfeitiçadas. Eu quero MUITO ler esse livro e venho acompanhando o que sai a respeito dele, e até agora, não lembro de ter visto ninguém falar mal da obra. Fiquei bastante curiosa pra ler, tanto pela temática em si, como pela construção dos personagens, que fogem ao clichê, como você diz...

    Bjs

    http://torporniilista.blogspot.com.br/

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  4. Mas do que ansiosa para ganhar meu exemplar. Fiquei encantada com este livro no primeiro momento em que vi a capa dele. Estados Unidos como sempre arrebentando nas capas.

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  5. Oi Ana, fico feliz que suas expectativas foram superadas, esta capa também me ganhou, eu dou muita importancia a uma capa bem elaborada e fico triste quando encontramos ótimos livros com capas simples e que não expressam a essencia do livro..
    Eu adorei este livro e quero ler a continuação logo!!!

    Beijos Mila
    http://dailyofbooks.blogspot.com.br/

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  6. Não é o meu tipo de livro preferido (bruxas e tal, eu sou uma fresca mesmo hahaha), porém, sou apaixonada pela capa e seu entusiasmo até me contagiou para querer ler rs gostei de conhecer um pouco mais do livro.

    Beijos

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  7. Esse livro me chamou a atenção pela capa primeiramente e depois gostei da sinopse.
    Gostei da ideia de ter uma pegada política também!
    Está na minha lista de leituras :)

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  8. Eu preciso, urgentemente, desse livro. Sou apaixonada pelo gênero, a capa é linda, e a sinopse me chamou a atenção, além de ele ser super bem elogiado *u*
    E-mail: juliamariamoraes2013@gmail.com
    Nome de seguidor: Julia Moraes

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  9. Oi Ana!
    Estou super ansiosa por essa leitura e a sua resenha me deixou cm ainda mais vontade de comprar o livro! Gostei mais da capa brasileira também.
    Beijos
    http://sobrelivrosesonhos.blogspot.com.br/

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  10. Olá Ana!
    Eu simplesmente adorei esse livro, me encantou pela capa, tema e conclusão. Quero muito ler a continuação, breve.
    Adorei a resenha, bem completa!
    Bjos
    Ni
    Cia do Leitor

    Ah! Tem resenha nova no blog, dá um pulinho lá vai. http://ciadoleitor.blogspot.com.br/2014/03/resenha-lilith-meu-amor-da-escuridao-de.html

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  11. Tenho dúvidas sobre esse livro. Ao mesmo tempo que gosto muito de fantasia e até gosto de livros sobre bruxas, esse livro me parece não ser tão bom. A premissa dele não me agradou muito. Mas, quem sabe, eu dê uma chance ao livro.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista

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  12. não tenho dúvidas depois da resenha irei ler o livro com certeza *-* amei parabéns, faz muito meu genero

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  13. ótima resenha, irei ler com certeza

    http://colecionadoresdelivros.blogspot.com

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