15.11.13

Resenha: O Visconde Que Me Amava - Julia Quinn

Título: O Visconde Que Me Amava
Título original: The Viscount Who Loved Me
Série: Família Bridgerton
Volume: 2
Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
ISBN: 978-85-8041-197-3
Ano: 2013
Páginas: 304
Classificação: 5/5 [ótimo]
Sinopse: A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva. Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela. Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele. Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração. Considerada a Jane Austen contemporânea, Julia Quinn mantém, neste segundo livro da série Os Bridgertons, o senso de humor e a capacidade de despertar emoções que lhe permitem construir personagens carismáticos e histórias inesquecíveis.
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Após a morte do precoce de Edmund, Anthony Bridgerton soube que, como o amado pai, não teria uma vida muito longa e que não passaria dos 38 anos. A consciência de sua mortalidade levou-o a uma vida plena, repleta de prazeres e farras. Um libertino de carteirinha, talvez o maior e mais sedutor que Londres já viu, Anthony já esteve com muitas mulheres, mas surpreendentemente decide-se que está na hora de se casar. Extremamente responsável com a família, ele sabe que deve dar continuidade a linhagem Bridgerton, passar seu título de Visconde adiante, mesmo acreditando que não viverá o suficiente para ver seus filhos já crescidos. 
“Edmund Bridgerton faleceu aos 38 anos. E Anthony simplesmente não podia imaginar-se superando o pai de forma alguma, nem mesmo em idade..” (Pág. 12)
A decisão do Visconde surpreende a todos, deixando a sociedade londrina de 1814 polvorosa. Todos sabem que Anthony é um libertino e, por mais que não acreditem que ele deixará essa parte sua para trás, todos também sabem que ele é o melhor partido da temporada. Rico, bonito, educado e gentil, Anthony é o sonho para qualquer mamãe casamenteira e para qualquer garota que queira ir para o altar. Entretanto, para Kate Sheffield, ele é um grande perigo. É unanime a opinião de que sua irmã Edwina é a garota mais bela e desejada da temporada, por isso todos se surpreendem quando a menina declara que só casará com a aprovação de sua irmã. Apesar de mais velha, Kate também está debutando esse ano, mas consciente de que não chega aos pés de sua irmã e de que não é a garota mais fácil de conviver, ela duvida arranje um marido, por isso coloca todas as suas energias para encontrar um para Edwina. E Anthony Bridgerton definitivamente não é uma opção.
“(...) há libertinos e Libertinos. Anthony Bridgerton é um Libertino. (...) Um Libertino com l maiúsculo sabe que é um perigo para as mulheres. 
Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown, 24 de Abril de 1814.” (Pág. 12)
Mas mal sabia Kate que Anthony achava Edwina simplesmente perfeita. A garota é bonita, inteligente, agradável e jamais despertará seu amor. Anthony viu os pais se amar profundamente e a mãe sofrer pela morte do amado, por isso procura uma mulher com a qual consiga passar o resto de sua vida, mas que não desperte dentro dele mais que amizade ou desejo. Ele não quer sofrer por amor, assim como não quer que sua futura mulher sofra. Assim, o Visconde simplesmente decide que se casará com Edwina e, como sempre consegue o que quer – e quem quer – ele duvida que essa seja uma tarefa muito difícil. Entretanto, quando ele conhece Kate pessoalmente, percebe que terá que passar por cima da fera antes de chegar ao seu tão desejado tesouro. Ainda sim o rapaz acredita que fará a moça cair em suas graças, pois não há, afinal, mulher que ele não consiga conquistar. 
“E havia Kate Sheffield. A maldição de sua existência. E objeto de seus desejos. Ao mesmo tempo. Que confusão... Ele deveria cortejar a irmã dela, pelo amor de Deus. Edwina. (...) Em vez disso, ele não conseguia parar de pensar em Kate. Que, ao mesmo tempo que o enfurecia, conquistara seu respeito.” (Pág. 155) 
Mas Kate se mostra um desafio e tanto, irritando e provocando Anthony de um jeito que nenhuma mulher o fez. O Visconde logo percebe que sente um grande desejo por Kate, um desejo muito perigoso. Lembrando-se de que não está a procura de um amor e sim de uma esposa, Anthony mantém o plano original de cortejar Edwina, o que, logo, o deixa mais perto de Kate. Tanta proximidade afeta os dois, que percebem que por trás do ódio que sentem um pelo outro, se esconde outro sentimento muito mais profundo que desejo. Quando as circunstâncias mudam e Anthony percebe que seu destino estará para sempre entrelaçado ao de Kate, ele se convence de que, não importa o que acontecer, ele nunca a amará. Mas conforme a garota vai perdendo sua resistência e Anthony vai desvendando sua personalidade avassaladora, ele descobre uma mulher doce, inteligente e linda a qual simplesmente não consegue resistir. Os anos de libertinagem e a morte do pai ensinaram muita coisa a Anthony, mas será que entre essas lições existe alguma que o faça jamais amar Kate? Ou será que o belo, rico, forte e decidido Visconde não consegue resistir a essa mulher?
“Homens são criaturas contraditórias. A mente e um coração nunca estão de acordo. E, como sabem muito bem as mulheres, suas ações costumam ser governadas por um aspecto completamente diferente.
Crônicas da Sociedade de Lady Whistledown, 29 de Abril de 1814.” (Pág. 115)
O primeiro volume da série “Família Bridgerton”, “O Duque e Eu” (resenha aqui), me conquistou logo de início, deixando-me apaixonada por essa família e pelas histórias de Julia Quinn. Estava muito ansiosa para o segundo volume, “O Visconde Que Me Amava”, que conseguiu, de forma maravilhosa, suprir todas as minhas altas expectativas para ele. É impossível não comparar os dois livros, sendo que gostei um pouquinho mais deste.

Tudo começou pelos personagens, já estava apaixonada pelo Anthony desde o primeiro livro e, somando-o a Kate, com uma personalidade feroz que todas as personagens femininas deveriam ter, foi impossível não amar esse livro. Apesar de ter sentido falta de uma participação mais marcante de todos os integrantes da família Bridgerton, como no primeiro livro, gostei da autora tê-los deixado mais como personagens secundários e realmente focado no (quase) triângulo amoroso da vez. Assim como adorei Kate, amei as outras duas mulheres da família Sheffield: Edwina e sua mãe (e madrasta de Kate) Mary. As três mulheres são divertidas e despretensiosas, sem muitos dramas ou preconceitos. Apesar da curta participação (os mais novinhos nem apareceram), os outros Bridgerton mais uma vez brilharam: Violet sempre como a matriarca fofa e desencanada, louca para casar os filhos; Benedict sempre de prontidão para ajudar; Colin sempre prontidão para bagunçar e se divertir e Daphne com seu marido Duque lindo, Simon, para nos divertir e acrescentar um pouco mais de romance e suspiros ao livro. Lady Whistledown estava novamente com a língua (ou seriam dedos?) bem afiada, não se poupando – e não poupando ninguém - em suas Crônicas da Sociedade, apesar de que estava um pouco menos feroz que no primeiro livro. Mal posso esperar pelo livro em que sua identidade será relevada. Outro personagem inesquecível foi Newton, o cãozinho da raça corgi (como da imagem abaixo) de Kate. Nunca vi animalzinho mais amigável, fofo e sapeca como ele! Quero um para mim agora mesmo!



Olha que coisa linda!

Todos os personagens foram cativantes, com espaço na trama e personalidade própria. Nesse último quesito a autora foi mais feliz, os principais personagens ganharam histórias mais completas e bem desenvolvidas. No geral, a trama de “O Visconde Que Me Amava” foi bem mais amarrada e cativante, seguindo o mesmo estilo de “O Duque e Eu”, mas de forma mais ágil – para vocês terem ideia, li o livro todo em apenas seis horas. A narrativa em terceira pessoa de Quinn continua leve, bem humorada e muito cativante, assim como todo o seu livro em geral. 

Posso não concordar que Julia Quinn é a “Jane Austen contemporânea”, pois Austen retratava a sociedade de sua época, questionando, e ironizando até, em seus romances certos comportamentos com os quais não concordava, enquanto Quinn constrói romances divertidos em uma época que todos hoje acham glamorosa. Não estou menosprezando as obras de Quinn, claro, visto que amo a autora e seus livros. Mas acho errado comparar Quinn a Austen, afinal a primeira desenvolve em seus livros personagens com um comportamento que a segunda repudiava. Confesso que, por mais que tivesse curtindo a história, fiquei incomoda com certos aspectos da trama, como os homens sempre são experientes e entendidos e as mulheres virginais, como, no fundo, elas sempre se deixam ser “domadas” por eles e, o principal, de como o casamento, apesar de não ser imediatamente o final feliz, é sempre o destino da mulher e a melhor coisa que ela pode fazer. Entendo que, na época em que a história se passa, a sociedade era dessa maneira, mas como vejo muito dessa submissão feminina nas obras e na sociedade de hoje, não deixo de me incomodar, pois é um comportamento que odeio. 

O que me leva a consideração final de que os livros da série “Família Bridgerton” são muito bons, mas apenas como divertimento. Recomendo-o para todos que gostem de um bom romance, daqueles de arrancar várias risadas, mas também suspiros, para descansar a cabeça entre leituras mais densas. Estou ansiosa pelo próximo livro da série, quem será que vai para o altar da próxima vez? 

Falando da edição, a tradução e diagramação estavam perfeitas. O tipo e tamanho da fonte, assim como as páginas amareladas, deixaram a leitura ainda mais rápida. A capa é simplesmente divina e a acho mais bonita até que a do primeiro livro e a de outras edições (abaixo). Apenas não entendo porque escolheram uma modelo loira, visto que Kate (se não me engano) é morena, e sua irmã, Edwina é que é loira. Vamos lá, qualquer leitor de romances mais malicioso, apenas pela sinopse, já sabe com quem Anthony fica. Ocorreu-me agora que teria sido interessante se tivessem colocado duas modelos, representado as duas irmãs e a “dúvida” de Anthony entre elas.




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14 comentários:

  1. OIe Ana
    essa série é muito amor.
    O primeiro livro foi muito bom, mas algo me diz, e sua resenha me confirma, que este será ainda melhor. Quero ler logo. Sou apaixonada pelo Anthony, mas meu queridinho mesmo é o Colin.
    bjos
    www.mybooklit.com

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  2. Lembro de ter visto desse livro somente quando foi laçado, achei o enredo muito bom! Espero poder ler em breve!


    xx

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  3. Olá Ana!
    Eu particularmente sou apaixonada por livros com aquele romance leve mas apaixonante *-*
    Acho que, por esse motivo, vou amar esse livro!
    Sua resenha me encantou :)
    Beijos,
    Ana M.
    http://addictiononbooks.blogspot.com.br/

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  4. Ainda não li nenhum livro do selo Romances de Época da Editora Arqueiro, fico babando a cada apresentação... Assim que puder, comprarei o meu primeiro de muitos que virão.
    Bjo
    Ni
    http://ciadoleitor.blogspot.com

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  5. Apesar de não ser o meu estilo de leitura preferido sua resenha foi demais.
    Abraços

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  6. Oi Ana!
    Amei mto O Duque e eu e estou ansiosa para ler O Visconde que me amava <3
    Cinco estrelas???? Minhas expectativas estão lá nas alturas e pelo que li na sua resenha não vou cair das nuvens ;)
    Personagens cativantes, uma história bem alinhavada, mais Crônicas da sociedade e um cãozinho é tudo de melhor <33
    Bjssss

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  7. também não acho muito legal essa comparação dela com a Jane Austen, mas tudo bem hahaha
    estou bem curiosa para ler os livros da autora... ainda não li nenhum deles, mas gosto deste gênero da autora e espero gostar :D

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  8. Impossível não se animar com esta sua resenha!! Nossa eu estou simplesmente louca por essa serie, eu adoooro livros épicos!! E esse parece ser de tirar o folego!! Espero conferir em breve!! E está capa é linda demais!!
    Beijocas!!

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  9. Oii! A capa nacional esta mais linda . E só tenho lido resenhas maravilhosas sobre esse livro.
    Fiquei sem folego com a sua resenha flor!!!Quero ler logooo :D

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  10. Ahhhh preciso começar a ler essa série pra ontem!
    A cada resenha eu só me apaixono mais pelos personagens! Vou comprar tudo que sair agora haha

    Beijos,
    Jhey
    www.passaporteliterario.com

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  11. Esse livro é de extrema perfeição! Comecei e terminei ele ontem e mal vi o tempo passar com a tamanha perfeição que ele é! Essa série é maravilhosa, a Julia virou uma das minhas autoras favoritas e estou TÃO ansiosa para ler o próximoo.
    Tenho sérias dúvidas de qual é mais perfeito, o primeiro ou esse. Me identifiquei tanto com os dois e fiquei tão maravilhada.
    Agradeço muito minha amiga por me mostrar essa coleção.
    Recomento a todos!!!
    Beijocas

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  12. Meu Deus eu comecei e terminei esse livro ontem DE TÃO PERFEITO que ele é, sério é maravilhoso. O que me deixa muito em duvida, qual será melhor O Duque e eu ou esse, sério!!
    Estou muito ansiosa pra ler o próximo livro. Com certeza a Julia virou uma das minhas autoras prediletas!
    E não sei, me identifiquei com ele sabe?
    Chego a ficar sem palavras com tamanha perfeição.
    Recomendo a todos!!

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  13. Ainda não li nenhum livro dessa série mas já deixei anotado para ler esse ano, pois no ano passado não deu tempo. Sua resenha está ótima o que serviu para deixar-me com um maior desejo de ler o livro.

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  14. Olá, vim aqui ler sua resenha pois esse é meu livro favorito da Julia quinn. Ao contrário de você, eu adoro a Julia pois as personagens dela são mais submissas e não tão libertinas quanto as de outras autoras. E os homens não são tão cafajestes. Ela consegue escrever romances leves, e arrebatadores, e pra mim é um alívio que não tenha tramas mirabolantes nos livros e que foque mais na família, nas provocações, nas diferenças de personalidade. Aliás, é por isso que prefiro inclusive os bridgertons a outros livros da mesma autora. E sobre a suposta submissão feminina, estou cansada de ler livros de outros autores que as protagonistas são sempre fortes e autoritárias, como se as mulheres não pudessem mais ser salvas, ser amadas, ser frágeis. Acho que toda mulher que ser amada e cortejada, e querer agradar o marido deixa qualquer casamento mais forte. E as mocinhas da Julia nunca se anulam. Pelo contrário, sendo elas mesmas e se sujeitando em certos aspectos, elas conseguem a adoração absolute seus maridos.

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