15.6.13

Resenha: Liberta-me - Tahereh Mafi

Título: Liberta-me
Série: Trilogia Estilhaça-me
Volume: 2
Autora: Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581632353
Ano: 2013
Páginas: 448
Classificação: 3/5 [bom]
Sinopse: Liberta-me é o segundo livro da trilogia de Tahereh Mafi. Se no primeiro, Estilhaça-me, importava garantir a sobrevivência e fugir das atrocidades do Restabelecimento, em Liberta-me é possível sentir toda a sensibilidade e tristeza que emanam do coração da heroína, Juliette. Abandonada à própria sorte, impossibilitada de tocar qualquer ser humano, Juliette vai procurar entender os movimentos de seu coração, a maneira como seus sentimentos se confundem e até onde ela pode realmente ir para ter o controle de sua própria vida. Uma metáfora para a vida de jovens de todas as idades que também enfrentam uma espécie de distopia moderna, em que dúvidas e medos caminham lado a lado com a esperança, o desejo e o amor. A bela escrita de Tahereh Mafi está de volta ainda mais vigorosa e extasiante.

ATENÇÃO! Essa resenha pode conter spoilers dos volumes anteriores, "Estilhaça-me" e "Destrua-me".

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Juliette conseguiu fugir de Warner, após atirar em seu braço, encontrar Adam e chegar ao Ponto Ômega, lugar especialmente criado para pessoas como ela. Mas, a garota não está nem um pouco feliz. Castle, o idealizador, criador e líder do Ponto Ômega, insiste que Juliette tem de aprender a controlar seus poderes, mas ela não faz ideia de como pode fazer isso. Graças ao traje e luvas especiais que ganhou, Juliette pode tocar as pessoas sem machucá-las, mas todos ainda temem seu toque mortal. Entretanto, aqueles que não têm medo dela, Adam, seu irmãozinho James e amigo Kenji, nunca estão por perto. A garota se sente completamente sozinha e isolada, como se estivesse de volta ao seu quarto escuro no manicômio.
“Sou um espetáculo, uma anomalia mesmo entre as anomalias. Eu deveria estar acostumada a isso agora, depois de todos esses anos. Eu deveria ser mais durona, mais desinteressada, mais indiferente a opinião dos outros. Eu devia ser muitas coisas.” (Pág. 35)
Do lado de fora, as coisas também não vão bem. Patrulhas do Restabelecimento vasculham o lugar a procura do Ponto Ômega. Ao saber que Warner se junta a seus soldados na busca, Juliette tem certeza de que ele a está procurando. Apesar de ninguém saber, nem mesmo Adam, Warner pode tocar em Juliette e a garota sabe que ele não desistirá de seu brinquedinho tão fácil.
“Warner é uma criança. Warner é um filho. Warner é um garoto que tem apenas um entendimento limitado sobre a própria vida. Warner com um pai que lhe ensinaria uma lição matando a única coisa pela qual ele já se dispôs a implorar. Warner como um ser humano me apavora mais do que qualquer coisa.” (Pág. 224)
O lado de dentro do Ponto Ômega está tão movimentado quando o lado de fora. Além das atividades normais, Juliette sabe que todos estão se preparando para a guerra inevitável contra o Restabelecimento. Ela também sabe que todos contam com o seu poder e com o controle que ela deveria ter sobre ele. Mas, Juliette não quer lutar, não quer aprender a controlar seu poder, quer apenas viver tranquilamente com Adam, o que aparentemente não é possível. Ao perceber o namorado cada vez mais distante, a garota começa a questionar quais segredos os habitantes do Ponto Ômega estão escondendo dela e o que Adam tem a ver com isso.
“-Minha lealdade – ele começa – não está com o Restabelecimento. Minha lealdade está com aqueles que sabem viver. Tenho apenas duas opções neste jogo, amor.
Ele está respirando com dificuldade.
- Matar. Ou ser morto.” (Pág. 331)
Ao descobrir o segredo que Adam tanto se esforçara para esconder, Juliette começa a pensar se jamais poderá ser feliz com o garoto que tanta ama. Ela também começa a pensar em Warner e a se confundir cada vez mais com seus sentimentos. Conforme a batalha se aproxima, Juliette começa a perceber o quanto é poderosa e o quanto poderia ajudar se conseguisse controlar o seu dom mortal. Cada vez mais envolvida com as pessoas ao seu redor, a garota começa a perceber o quanto o mundo precisa daquela revolução, o quanto precisa se livrar do controle do Restabelecimento. Mas, essa não será uma tarefa fácil, mesmo com os civis começando a se rebelar, a luta será difícil e sangrenta. Assim como a luta de sentimentos dentro de Juliette. 

“Estou começando a achar que a esperança é algo perigoso e aterrorizante.” (Pág. 373)
Estava muito ansiosa por “Liberta-me”, continuação de “Estilhaça-me” e segundo volume da trilogia de mesmo nome. Apaixonei-me pelos personagens e pela trama no primeiro volume, praticamente devorei o livro ao lê-lo e aguardei ansiosamente pela continuação. Mas, talvez por ter esperado demais, acabei me decepcionando. Eu já estava com um pé atrás com a autora após ler “Destrua-me”, o conto que se situa entre o primeiro e segundo volume e que trás um pouco da perspectiva do Warner. Mas, nutria esperanças de que Mafi me conquistaria novamente nesse livro. Esperanças que foram correspondidas, mas não completamente.

Mais uma vez, a autora traz uma trama bem amarrada, em uma mistura perfeita de ação e romance. Gostei dos conflitos apresentado e do modo como foram resolvidos. A autora soube conduzir a história, mas, acabou me decepcionando quanto a narração e aos personagens. A narração em primeira pessoa, pela perspectiva de Juliette, foi perfeita no primeiro livro. As palavras cortadas e repetidas e as muitas metáforas e comparações ficaram divinas, cumpriram seu papel de mostrar a dimensão emocional da personagem. Entretanto, em “Liberta-me”, a narração me irritou. Felizmente, a autora trouxe menos palavras cortadas e repetidas, mas novamente abusou das metáforas, o que aqui não ficou bom. A sensação é de que a trama não flui, a personagem divaga tanto, em alguns momentos de maneira tão confusa, que acaba confundindo o leitor. Diversas vezes tive que voltar no texto para me lembrar do que estava acontecendo ou então de pular algumas linhas para ver se a história fluía. 

Como a narração, os personagens também pouco me agradaram, principalmente a protagonista. Era de se esperar que a Juliette viesse um pouco mais madura nessa história, mas o tempo todo ela parecia mais como uma menina mimada que não conseguiu o que queria. Eu entendo os sentimentos que a autora quis passar, mas, como em “Destrua-me”, ela não convenceu e não atingiu o objetivo esperado. Juliette fica grande parte do livro choramingando, com aquele velho papo de “sou um monstro” do primeiro livro. Tal comportamento era condizente com “Estilhaça-me”, mas em “Liberta-me” ficou infantil. A garota estava cercada de pessoas como ela, com dons extraordinários. Mas, em vez de aprender a controlar seu poder, ela fica se lamentando do quanto ele é mortal. Será que não passou pela cabeça dela que, quando ela aprendesse a o controlar, seu dom só machucaria quem ela queria? Apesar de a trama ter evoluído, coisas terem acontecido, senti que Juliette ficou o livro inteiro no mesmo lugar, batendo na mesma tecla. Nos capítulos finais temos alguns vislumbres do amadurecimento da garota, mas que foram insuficientes e frustrantes por terem aparecido tão tarde. 

Outro personagem que me irritou foi o Warner. Como disse na resenha de “Destrua-me”, a autora descontruiu o personagem e o apresentou de forma completamente incoerente com a imagem que tinha passado. Em “Liberta-me”, Mafi deu continuidade ao Warner de “Destrua-me”, aquele garoto mimado, inconsequente e completamente bipolar. Sei que ela queria mostrar um adolescente confuso, mas sério, ela transformou o coitadinho em um completo doido. Warner era meu personagem favorito da série, mas, com as transformações bruscas e pouco convincentes que a autora fez, acabei perdendo grande parte da simpatia que tinha por ele. Novamente Mafi tentou fazer do pai de Warner, que aqui descobrimos se chamar Anderson, o grande vilão, mas acaba não conquistando e me irritando bastante. Uma história sem um vilão convincente sempre decepciona. 

Os outros personagens, diferentemente da Juliette e do Warner, foram desenvolvidos de forma coerente e satisfatória. Cada um tem seu lugar na trama e personalidade própria. O Adam e seu irmão James continuam uns amores, Kenji engraçado, mas responsável, e Castle durão, mais sensível. Começo a torcer mais por esses personagens do que para a protagonista, que eles se livrem da loucura de Juliette e Warner e vivam felizes para sempre. Agora torço para que Juliette e Warner fiquem juntos porque não aguento mais ver o Adam sofrer pela Juliette, ele é muito bonzinho para ela! 

“Liberta-me” é um livro longo, mas, diferentemente do primeiro, não tão rápido de ler. Demorei a pegar o ritmo da história e, apesar de ter gostado dos rumos que ela tomou, acabei me decepcionando. O livro não é ruim, mas poderia ter sido melhor. Vou ler o próximo e último (espero, afinal trilogia tem apenas três livros... pelo menos na teoria) volume porque desejo muito ver como a história acaba, mas não estou tão ansiosa quanto fiquei por “Liberta-me”. Espero sinceramente que a autora não decepcione novamente e que saiba dar um fim decente para uma história tão bem construída, mas que pecou em alguns quesitos. Apesar de ter me decepcionado com esse livro, continuo gostando bastante da Mafi e espero ver logo histórias dela fora de “Estilhaça-me”. 

A editora fez um bom trabalho com o livro. A diagramação e tradução estavam ótimas, mas não entendi porque a tradução colocou os “oh” como “ó”, como em “Ó, meu Deus”, sendo que, creio eu, todo mundo sabe que o “h” nessa palavra é mudo. As páginas amareladas e tamanho e tipo de fonte ajudaram a deixar a leitura um pouco menos cansativa. Adorei os detalhes no início de cada capítulo, também presentes no primeiro livro. Quanto à capa, odiei a versão brasileira e queria muito que a editora tivesse mantido a original. Entendo que, tanto para eles, como para quem já tem o livro, seria ruim manter a capa original, já que ela combina com a segunda versão da capa do primeiro livro, que não foi lançada por aqui. Também entendo que não seria vantajoso para eles relançar o primeiro livro só por causa da capa, mas creio que eles poderiam ter feito um trabalho melhor. A capa de “Liberta-me” traz um super close do rosto da modelo da capa de “Estilhaça-me”, o que deixou a capa desconfortável , forçada e estranha de ver de perto. Eles ainda incluíram estilhaços de vidro contra o fundo preto, onde os rostos de dois garotos quase passam despercebidos. Conhecendo o trabalho da editora como conheço, acabei ficando muito decepcionada com a capa e realmente espero que eles relancem tanto esse quanto o primeiro volume com a capa original, ou pelo menos com uma mais bem feita. 
“Desta vez, sou uma força. Um desvio da natureza humana. Sou a prova viva de que a natureza está oficialmente arrasada, com medo do que fez, do que se tornou. E estou mais forte. Estou mais brava. Estou pronta para fazer algo que, com certeza, vou me arrepender e, desta vez, não me importo. Chega de ser boazinha. Chega de ficar nervosa. Não tenho medo de mais nada. O caos completo está no meu futuro. E vou deixar minhas luvas para trás.” (Pág. 441) – Esse trecho me deu esperanças. Será que no próximo livro veremos uma Juliette digna de seu poder? Torço para que sim.

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11 comentários:

  1. Me perdoa por não ler a resenha? Nunca li nem o primeiro livro e quero MUIIIIITO LER! Mas tudo bem, eu estou tentando me atualizar da quantidade enorme de livros pra ler! '-'

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    1. ;D Sem problema, eu também evito ler resenhas de livros que ainda não li! Espero que goste da série! Depois de ler, não deixe de me falar o que achou!

      Bjs

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  2. não li o 1.5 do livro ainda, mas estou com ele em pdf aqui, então quando eu ler ele volto aqui para ler sua resenha :)

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  3. Eu tenho que ler o livro 1.5 antes de ler esse, porém já não espero muitas coisas.. Primeiro porque não curti a capa, depois porque o livro é longo, nada a ver isso, mas para o segundo livro de uma distopia com uma história não tão complicada, isso pode ser ruim. Gostei da resenha e de conferir as sua opinião, devo ler em breve...

    Abraços
    www.entrepaginasdelivros.com

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  4. E a autora pelo visto vai investir em um triângulo amoroso #que decepção :(
    Estou esperando terminar um livro para ler Liberta-me, mas não sei se gostarei de uma Juliette chorona novamente rsrs a capa é mesmo sem graça ahahaha continuo detestanto Warner U.U
    Bjs

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  5. Será que ela consegue entender o coração e lidar com a questão do toque dela? cada vez mais curiosa

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  6. Falam tanto nesse livro que fiquei super curiosa. Vou ler, pra ver se é tão bom assim. Beijos.

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  7. adriana medeiros7 de julho de 2013 11:43

    Agora fiquei suuuuuuuper curiosa para ler a sequência de Estilhaça-me! Apesar de ter uma capa horrível (rs), Liberta-me parece que está com "tudo em cima"! haha A sinopse está ótima, e fato de que a autora faz leitor também se apaixonar (mais ainda) pelo vilão maravilhoso que o Warner é deixou tudo melhor!
    Adorei sua resenha e mal vejo a hora de ler o livro :)

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  8. Como não li "Estilhaça-me", pulei para os últimos parágrafos. Mais um livro que sofre da Síndrome do Segundo Volume. Mas a torcida para que o terceiro e último (assim esperamos) volume venha com tudo é enorme. Em relação a capa, não achei feia, mas por se tratar de uma trilogia, achei que ela saiu completamente do padrão.

    @_Dom_Dom

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  9. Bem, eu "passei o olho" pela sua resenha, pois estou evitando spoilers, rs.
    AAA, + que quote é esse: "Eu deveria estar acostumada a isso agora, depois de todos esses anos. Eu deveria ser mais durona, mais desinteressada, mais indiferente a opinião dos outros. Eu devia ser muitas coisas.” Perfeito! rs
    Mas voltando ao assunto, vc diz que a Juliette de Estilhaça-me permanece em Liberta-me... E isso não é legal mesmo não. =/
    A capa realmente foi decepcionante, tomara mesmo que façam outra edição melhor! =)

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  10. Liberta-me me deu uma visão completamente de Warner e eu me apaixonei completamente por ele, além de também ter me apegado mais a série, foi nesse livro que vi o quanto a autora escreve bem, diferente do primeiro onde ela me deixou com muito tédio nos primeiros capítulos e quase me fez abandonar o livro.

    http://worldbehindmywall.fanzoom.net

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