12.6.13

Resenha: Destrua-me - Tahereh Mafi

Título: Destrua-me
Série: Trilogia Estilhaça-me
Volume: 1.5
Autora: Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581630298
Ano: 2013
Páginas: 90 (em ebook)
Classificação: 2/5 [regular]
Sinopse: Uma história contada do ponto de vista de Warner, o cruel líder do Setor 45.

ATENÇÃO! Essa resenha pode conter spoilers do volume anterior, "Estilhaça-me".


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“Destrua-me” começa nos capítulos finais de “Estilhaça-me”, quando Juliette atira em Warner e foge. O líder do Setor 45 é encontrado por seus soldados e levado de volta a base, onde recebe tratamento médico. Apesar do braço temporariamente inutilizável e das fortes dores que sente, Warner não se dá muito tempo de descanso e volta a liderar o Setor e as buscas por Juliette, Adam e outro de seu soldado que auxiliou os dois na fuga.
“No campo de batalha, sou capaz de me desconectar dos movimentos que aprendi a memorizar. Criei a reputação de ser alguém frio, um monstro que não teme nada nem ninguém. Mas tudo isso é ilusório. Porque a verdade é que não passo de um covarde.” (Pág. 58)
Mas as buscas se mostram inúteis, já que não há sinais dos fugitivos. Para piorar a situação, os civis do Setor 45 começam a mostrar sinais de uma possível resistência incentivada pela fuga de Juliette. Warner tenta lidar com todos os problemas da maneira usual, mas, a montanha russa de sentimentos que o invadem o atrapalham. Aos poucos, ele começa a perder seu autocontrole, sua frieza, tudo por causa dela, Juliette. Warner finalmente começa a admitir que está completamente apaixonado pela garota e a mostrar que não é tão cruel quando todos pensavam. E as coisas continuam a piorar quando seu pai aparece no Setor e Warner acha o diário de Juliette.
“Ela descobriu as rachaduras nessa armadura que venho usando há anos, todos os dias, e isso me deixa petrificado. Essa garota sabia exatamente como me destruir.” (Pág. 26)
“Destrua-me”, um conto que se situa entre “Estilhaça-me” e “Liberta-me”, respectivamente, o primeiro e segundo volume da trilogia “Estilhaça-me”, traz não só uma nova perspectiva de um dos personagens principais da série, mas também de todo o universo criado pela autora. Aqui, nos deparamos com mais detalhes de como o Restabelecimento funciona, de como ele se instalou e de como ele mantém o controle sobre a população. Também percebemos o quanto esse novo governo é opressor e controlador, mas também que as pessoas não o aceitam de forma tão tranquila, visão que não foi possível ter inteiramente com “Estilhaça-me”.
“Tudo foi numerado. As pessoas, suas casas, seu grau de importância para o Restabelecimento.” (Pág. 57) 
Com o conto também temos um visão mais ampliada de Warner, já que é ele quem narra a curta história. Entretanto, se o objetivo era expandir as percepções dos leitores sobre o personagem, a autora acabou por descaracterizá-lo. O líder frio, cruel e quase sádico que nos foi mostrado em “Estilhaça-me” acaba se tornando um adolescente bipolar e mimado. No primeiro volume da série, foi perfeitamente possível perceber que Warner não era aquele monstro todo que parecia ser, mas, ao querer reforçar essa impressão com o conto, a autora acabou mostrando uma face dele não compatível com a primeira, o que me desagradou. Entendi que a intenção era mostrar o personagem sobre um turbilhão de sentimentos conflitantes, mas a autora acabou não conseguindo transmitir a ideia da maneira certa. Em um parágrafo Warner está louco para recuperar Juliette, mostrando assim que ainda é um líder, no outro, ele não está nem aí para o que as pessoas pensam dele, admite que é um covarde e que quer Juliette de volta apenas porque a ama. Em um momento, ele quer matar Adam e enfiar uma bala na cabeça do seu pai, mas no momento seguinte, ele se mostra um filhinho obediente, que tem medo do papai e que não quer desapontá-lo.
“Eles pensam que sou uma criança maluca. Não me respeitam; não são leais a mim. Eles estão desapontados que estou ali frente a eles; zangados; revoltados até, mas não fui morto por causa desse ferimento. Mas eles temem a mim. E isso é tudo de que preciso.” (Pág. 46)
A transição entre os diferentes pensamentos e sentimentos de Warner ficou forçada e acabou deixando-o sem uma personalidade definida. A autora tentou pintar o pai do garoto como o grande vilão da história e o próprio Warner como o filho maltratado e acabou não convencendo. Ao fazer Warner encontrar e ler o diário de Juliette, onde ele percebe os maus bocados por qual ela já passou e se identifica, além de ter uma empatia ainda maior por ela, a autora forçou uma aproximação entre os dois desnecessária, que tinha sido percebida em “Estilhaça-me”. 

Apesar da narrativa em primeira pessoa maravilhosa e a ideia genial de aprofundar um dos melhores personagens da sua história, Mafi acabou pecando bastante com “Destrua-me”. O conto é quase que descartável, não acrescenta praticamente nada para a trama maior da Trilogia e ainda estraga um dos melhores personagens da história. Tenho grandes esperanças de a autora trará de volta o velho Warner em “Liberta-me” ou mesmo o transformará novamente em um personagem interessante e cativante. 

A editora fez um bom trabalho com o conto e achei legal que eles o disponibilizaram para download. A diagramação e tradução estavam perfeitas, não encontrei nenhum erro. A capa é bonita e combina com a trama, mas penso que eles deveriam ter mantido a original. 
“É estranho deter esse tipo de poder. Gostaria de saber se meu pai está orgulhoso do que criou. Ser capaz de fazer milhares de homens caírem de joelhos com apenas algumas palavras; apenas ao me ouvirem dizer o seu título. É o tipo de coisa horrorosa e viciante.” (Pág. 47)

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9 comentários:

  1. estou com este conto aqui para ler, mas ainda não tive tempo :(
    adorei estilhaça-me e estou doida para a continuação *-*

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  2. Fico com um pé atrás e nem gosto de ler e-book. Vou baixar e tirar as próprias conclusões.
    Beijos!
    Paloma Viricio- Jornalismo na Alma
    P.s.: Desculpe a demora em responder o comentário. Fiquei sem acesso á internet, mas agora já estou de volta! \o/

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  3. Oi amiga, adorei ler sua resenha, já tinha lido por aí sobre o que ela fez com Warner, sinceramente eu não gostei nem de escutar isso, eu ainda não li o segundo livro e nem este conto, mais quando ler eu vou descobrir como será minha reação a isto...
    Ótima Resenha ^^

    beijos Mila
    http://www.dailyofbooks.blogspot.com.br/

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  4. Primeira resenha que leio em que a nota para o conto não tenha sido acima de 3 :) E eu gostei disso! Não entendo a fixação das pessoas pelo Warner, gosto dele como vilão mas não o quero sendo bonzinho e virando namoradinho da Juliette U.U Pronto falei kkkkkkk
    Depois lerei o conto ^^
    Bjs

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  5. preciso ler com urgência os livros, ansiosa e adoro este tipo de história

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  6. Pensava que o livro fosse mais instigante,já que o primeiro me pareceu bom. Acho que a autora ainda não encontrou o ritmo certo pro livro. Mais assim mesmo vou querer ler,porque não acompanhar seria um pecado. Beijos.

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  7. adriana medeiros9 de julho de 2013 17:59

    Me diga, por qual motivo mais um triângulo amoroso? Esses autores só sabem escrever sobre isso? Que droga!
    Enfim, passou o momento desabafo. haha

    Eu #choro porque não tenho ainda esses livros, eu quero tanto os dois e mais esse conto, mas até lá...
    rsrs

    E é legal o propósito desses contos, sempre dá pra ter uma ideia de um personagem que demonstra ser outra coisa.

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  8. Como ainda não li "Estilhaça-me", preferi ler apenas os últimos parágrafos da resenha. Eu até que gosto desses contos entre volumes, e se forem narrados por outras personagens, melhor ainda. Uma pena que a autora "desmistificou" uma personagem tão interessante como o Warner. De qualquer maneira, quero ler tudo.

    @_Dom_Dom

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  9. Primeira resenha negativa que leio desse conto.
    Warner é um personagem muito intenso, e creio que tudo o que a Tahereh passou dele até Destrua-me pode ter confundido algumas pessoas. O foco em Estilhaça-me ainda não era destacar Warner, pois a intenção era fazer com ele fosse odiado e Adam fosse adorado. Pra ser sincera, achei a estratégia dela genial.
    Não achei o personagem contraditório, e também não concordo que o conto poderia ser descartado. Pelo contrário, melhorou muito a história, que se não fosse isso, giraria somente em torno de Juliette e Adam, o que não seria suficiente para manter a trilogia.

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